quinta-feira, 16 de julho de 2009

Afrosambas revisited


Para quem não leu no Jornal da Paraíba, disponibilizo, aqui, o texto que fiz sobre um dos melhores discos de 2009 até agora: Afrosambajazz, de Mario Adnet e Philippe Baden Powell (foto acima - crédito:Nelson Faria/divulgação). A matéria foi publicada na edição de 15 de julho de 2009:

CD ‘Afrosambajazz’ é um grande tributo ao legado de Baden Powell

Baden Powell (1937-2000) é um desses gênios da MPB. Violonista talentosíssimo, foi um músico notável e um profícuo compositor. Seu legado mais celebrado é justamente uma bênção para ouvidos: os afrossambas, feitos nos anos 1960, com a nobre parceria de Vinícius de Moraes. Esses mesmos afrossambas inspiraram, este ano, um dos melhores lançamentos de 2009: AfroSambaJazz, editado pela Biscoito Fino.

Por trás das releituras de 16 composições de Baden estão dois músicos bem íntimos da obra do carioca: o mais velho dos dois filhos dele, Philippe Baden Powell, pianista de mão cheia e produtor, e o também violonista e arranjador Mario Adnet, músico experiente e o grande nome por trás de discos soberbos, como Ouro Negro e Jobim Sinfônico.

No encarte do CD – patrocinado pela Natura – Adnet explica que conheceu Philippe através de uma indicação de Paulo Jobim, filho de Tom, que havia trabalhado com o violonista carioca na execução de Jobim Sinfônico. “Rapidamente, ficamos (Mario e Philippe) ‘velhos’ amigos”, relata Adnet.

Na verdade, Mario Adnet já se mostrara um grande fã de Baden, que conheceu até mesmo antes de Moacir Santos (1924-2006), de quem viria ser bastante próximo e a produzir o citado Ouro Negro, mais Choros e Alegrias. “Através do seu violão, conheci a música de muita gente, incluindo Bach, Tom Jobim e Moacir Santos”, escreveu.

Na verdade, quem conhece o universo de Baden e Moacir (o segundo foi professor do primeiro), vai perceber que AfroSambaJazz é resultado do encontro da sonoridade desses dois gigantes da música brasileira. “Foi o maestro (Moacir) quem ensinou a Baden os modos gregos que muito inspiraram a criação dos Afrossambas”, acrescentou Mario Adnet.

Os méritos de AfroSambaJazz são inúmeros. Primeiro, a escolha do repertório é primorosa e abrangente. Estão lá “Canto de Ossanha”, “Canto de Xangô”, “Canto de Yemanjá” e “Lamento de Exu”, todos esses do disco Afro-Sambas (1966), mas também a indispensável “Berimbau”, composições pouco óbvias, como é o caso de “Sermão” e “Pai”, ambas de Baden com Paulo César Pinheiro, e até material inédito, como “Ritmo afro” (parceria de Baden com Philippe), “Canto de Yansan” (Baden e Idásio Tavares) e “Ladainha de Yansan” (feita por Baden e sua mulher, Silvia Powell, mãe de Phillipe e Marcel).

As músicas ganharam um tratamento digno acima da média. Philippe e Mario se revezaram nos arranjos (e também na execução das músicas, o primeiro ao piano e o segundo, ao violão). Adornaram as composições de Baden com uma orquestração de sopros com seção rítmica. A recriação deixou as composições pomposas e intensas, ressaltando as características afro-brasileiras das composições.

Para dar conta do recado, foi escalada a mesma – e excelente – banda que acompanhou o maestro Moacir Santos em Ouro Negro. Basicamente instrumental, só há vozes em dois momentos: Carlos Negreiros recita os lamentos de “Preto Velho”, enquanto a irmã de Mario, Maucha Adnet, e a cantora Mônica Salmaso, entoam, respectivamente, “Canto de Yansan” e “Ladainha de Yansan” na “Suíte Yansan”. Enfim, um disco grandioso pela própria natureza.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

No Dia Mundial do Rock

Hoje é o Dia Mundial do Rock.

Acordei ao som de "Back in Black" (AC/DC), tomei café ouvindo "(I can't get no) Satisfaction" (Rolling Stones - na foto ao lado) e fui trabalhar com um disco do Detroit Cobras (Tied & True, de 2007).

Agora, ouço Swett Oblivion, do Screaming Trees, para mim, a melhor banda que passou pelo grunge.

Enfim, escolhas pessoais e aleatórias, afinal, um tributo digno teria que ter, pelo menos, Beatles e Elvis Presley, artistas que eu adoro.

Mas tudo bem. Ainda são 9 e meia da manhã. O dia é longo.

Algo que tenho falado com frequência é que, tudo bem comemorar o Dia Mundial do Rock. Mas eu acho que deveria haver Dia Mundial do Blues, o Dia Mundial do Jazz, enfim, um dia para as pessoas, a mídia e todo o mundo ouvir blues, jazz, bossa-nova, etc.

Como ando sem tempo para escrever sobre rock, deixo vocês aqui com duas entrevistas que dei recentemente sobre o tema. Uma foi um papo muito legal no programa Diversitá, que vai ao ar todas as sextas-feiras, 18h, pela rádio Tabajara FM. Apresentado pelo jornalista Ricardo Oliveira, contou, ainda, com minha amigona do peito Olga Costa - uma das melhores enciclipédias de rock da cidade, autora do blog Fragmentos de Sonhos, Músicas e Filmes - e a produtora Carolina Morena, do Coletivo Mundo.

Clique aqui para ouvir o programa no site do Diversitá.

A outra foi uma pequena participação no Bom Dia Paraíba, que vai ai ar pela TV Cabo Branco/Globo, em todo estado. Foi uma tarde muito divertida, eu lá revirando meus CDs e DVDs. Na matéria, dá para ver um pouco do meu pequeno mundo de música e filmes.

Clique aqui para ver a matéria em vídeo, que foi reproduzida no Paraiba1.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Alice com TOC e o filho de Rambow

Como estou envolvido em alguns projetos - que assim que saírem do papel, anuncio aqui em primeira mão - ando sem tempo de atualizar o Meu Blog. Para não cair no esquecimento, ressucito o MB com a resenha de dois filmes que chegaram recentemente em DVD no mercado brasileiro, aqui, acompanhados pelos respectivos trailers.

JP-Crítica*

Uma Alice com TOC (****)

Lançado direto em DVD, A Menina do País das Maravilhas (Phoebe in Wonderland, Imagem Filmes), escrito e dirigido pelo estreante Daniel Barnz, é um desses filmes mágicos, que contam histórias encantadoras sobre crianças que, por serem diferentes, não se encaixam nos padrões (vide Pequena Miss Sunshine).

Phoebe (Elle Fanning) é uma garotinha que tem amigos imaginários, Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC) e a Síndrome de Tourette, na qual não consegue evitar de falar coisas que lhe vem à cabeça. Em meio a rejeição dos colegas e a falta de tato dos pais para lidar com ela, aparece uma chance de estrelar a peça Alice no País das Maravilhas na escola, tarefa nada fácil para ela e os que a cercam.

A Menina do País das Maravilhas trata de temas como bullying, psicologia infantil, família, educação e ensino de uma maneira inteligente, sensível e sincera.



O melhor filme de Rambo (****)

Outro que saiu direto em DVD foi o ótimo O Filho de Rambow (Son of Rambow, Paramount). Produção inglesa do ano passado, narra a amizade entre dois garotos: um, Joshua (Neil Dudgeon), é o capeta em forma de guri. O outro, Will (Bill Milner), é o bom mocismo em pessoa. Acabam se aproximando pela ideia de fazer um filme baseado no já clássico Rambo – Programado Para Matar (1982) – embora Stallone tenha gostado do filme, a produtora não liberou os direitos do nome, por isso, o Rambow.

Mas apesar das cenas cômicas, O Filho de Rambow não é uma comédia. A aproximação entre os dois vai fazer com que o jeito de um, interfira no comportamento do outro e essa dinâmica transforma Rambow num dos filmes mais encantadores sobre amizade desde Conta Comigo.



* publicado no Jornal da Paraíba de 03 de julho de 2009.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

"Pai" do software livre estará em João Pessoa no domingo

Comunicado que recebi da prefeitura de João Pessoa, que apoia o 3º Encontro de Software Livre da Paraíba:

O Encontro de Software Livre da Paraíba é um evento organizado pelos grupos G/LUG-PB e PSL-PB que está acontecendo em João Pessoa desde a última quinta-feira (18), na Estação Cabo Branco, Ciência e Artes. Um dos palestrantes mais aguardado é o norte-americano Richard M. Stallman, criador do Software Livre, da Fundação Software Livre, do Projeto GNU e da famosa licença GPL. A palestra está agenda para este domingo (21), no auditório principal, a partir das 10 horas da manhã.

Em sua palestra, Richard M. Stallman ensinará um pouco mais sobre liberdade, software e sobre a força que esses dois conceitos idílicos têm tido sobre o mundo. Comentará ainda sobre as sociedades, suas economias, educação e especialmente algo que a muito anda perdido: humanidade.

O que é Ensol - O Encontro de Software Livre da Paraíba é um evento organizado pelos grupos G/LUG-PB e PSL-PB. O evento tem por objetivo promover e estimular o intercâmbio de experiências entre as diversas iniciativas, como grupos de Software Livre e entidades de mesma filosofia, através de soluções com Software Livre e de código aberto, difundindo seu caráter de alternativa tecnológica viável.

O evento parte da filosofia ampla de compartilhamento do conhecimento e das formas de poder geradas por esse acesso, o público alvo é a sociedade como um todo. Entretanto, o caráter tecnológico do Software Livre gera um público mais específico, ou seja, estudantes de Tecnologia da Informação, de nível fundamental, médio e superior, gerentes de TI de pequenas, médias e grandes empresas, acadêmicos e profissionais de Tecnologia da Informação e Comunicação, secretarias de informática e administração dos municípios, profissionais da área tecnológica, que desejam desenvolver e introduzir ferramentas de Software Livre em sua empresa.

Diploma com prazo vencido


Muita gente passou a me perguntar se eu não iria escrever, aqui no Meu Blog, sobre a obrigatoriedade do diploma de jornalista para o efetivo exercício da profissão. Afinal, eu sou um jornalista. E diplomado.

Não escrevi até então porque não queria escrever no calor (infernal) do momento e, evidentemente, de cabeça quente. Mas agora, depois de um dia, faço minhas reflexões:

1) É preciso esclarecer que o diploma dos jornalistas não perdeu a validade. Ele é um documento válido para muita coisa... para ter direito a cela especial, por exemplo. E para se inscrever em concurso no nível superior. Só não serve para tirar o registro de jornalista junto a Delegacia Regional do Trabalho (DRT). É dispensável. A partir do momento que é dispensável, torna-se dispensável que o candidato a jornalista dedique quatro anos, às vezes cinco, a estudar, conhecer e promover conhecimento, em ambiente propício, de como fatos, acontecimentos e reflexões sobre o Brasil e o mundo devem ser levados ao conhecimento das massas. É dispensável disciplinas como “Ética” ou “Técnicas de Produção Jornalística”. Afinal, qualquer um pode escrever, assim como pode levantar uma casa, ou abrir um ser-humano, ou se defender diante de um magistrado, em que pese seu linguajar pobre e atropelado. Qualquer um pode fazer isso, mas isso dá legitimidade para ser um engenheiro, médico ou advogado? Pelo raciocínio do STF, sim. Escrever em um blog como este é uma coisa. Escrever ou falar, dentro de um veículo que repercute de norte a sul do país, e até no exterior, para 100 mil, 500 mil, 1 milhão de pessoas é uma coisa completamente diferente. O próprio STF, formado por pessoas com uma brilhante carreira acadêmica e profissional (penso eu) é quem deveria defender o diploma para uma melhor prestação de serviço por parte da imprensa. E não o contrário.

2) Sim, fiquei muito chateado, decepcionado e contrariado pela decisão dos ministros STF. Como eu encarei isso? A despeito de muita gente querer minimizar o fato de se ter ou não, um diploma, não dá mérito profissional (o que eu já discordei no tópico acima) ou de consoladoras tapinhas nas costas para falar que carreiras como publicitário, radialista e designer também não exigem diplomas e que tudo isso não passa de chilique de jornalista, eu quero dizer que esta foi a coisa mais sem noção que a justiça já fez no Brasil democrático. Custo a acreditar que, com a consciência pública, política e democrática que temos hoje, uma corte de justiça decida pelo retrocesso de 40 anos de história e conquista. Sinceramente, nunca imaginei que o Brasil poderia dar este tiro no pé.

2) Que motivos levaram os ministros a pensar que qualquer um pode ser jornalista:

a) Uma completa ignorância sobre a arte de fazer um jornal diário? Afinal, de onde estou, acho muito fácil ler e decorar artigos, súmulas e acórdãos e julgar o que, supostamente, é justo. Afinal, quase todo dia, julgo que notícias devem ser veiculadas no jornal para o qual trabalho e, como crítico, vou ainda mais longe: julgo se você deve ver determinado filme, ou comprar um CD, elevando ou destruindo a carreira de um artista, gerando prejuízo ou lucros;

b) uma vingança contra a profissão jornalística – como foi ventilado por um colega. Afinal, é essa imprensa cada vez mais livre, cada vez mais preparada, cada vez mais inquisitora e cada vez mais destemida que não teme tecer críticas aos todo-poderosos ministros e expõe a fragilidade do sistema judiciário do país, a partir de declarações dos próprios ministros do STF que se consideram “sem-moral” quando brigam entre si (ou vocês já esqueceram o bate-boca vexatório entre o presidente Gilmar Mendes e Joaquim Barbosa?)

c) por incrível que pareça, os ministros não faziam a mínima idéia do que estava sendo julgado;

d) os ministros só podem estar gagás.

3) Comparar o ofício de jornalista ao de cozinheiro não foi nem um pouco legal da parte do senhor ministro Gilmar Mendes. Se eu fosse dono ou editor de um grande veículo influente, e, ao mesmo tempo, sócio ou muito próximo a um restaurante de Brasília, eu pautaria dois estudantes de Ensino Médio, de escolas públicas, para entrevistarem – tanto para TV, ao vivo, quanto para impresso, sem gravador – os senhores ministros do Supremo, incluindo aí algumas cascas de banana e perguntas embaraçosas. Com a saída dos estudantes, chegariam alguns chefs para fazer o jantar da corte. Aí o ministro Gilmar Mendes, enquanto comia, poderia assistir e ler a reportagem sobre ele e seus colegas e provar, se é a mesma coisa, ou não.

A atitude dos ministros vai muito além da comparação entre jornalistas e cozinheiros. Agora, nestes tempos pós-diploma, jornalista é comparado a qualquer coisa. Por exemplo: o carinha da banca de camelôs que vende DVD pirata – um fora-da-lei por natureza, uma vez que, por desconhecimento, ou não, desrespeita a lei do país – pode dar um pulinho lá na DRT e tirar seu registro de jornalista. Pronto. É tão jornalista quanto eu, o Astier Basílio, o Boris Casoy e William Bonner e até pleitear a vaga de crítico de cinema de Renato Félix, Luis Carlos Merten e até o Rubens Ewald Filho.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Com uma pequena ajuda dos amigos

Momento with a little help from my friends (com uma pequena ajuda dos amigos).

Esta moça aqui trabalha comigo no Jornal da Paraíba. É meu braço direito e também o esquerdo. Está lutando contra uma bactéria malvada que quer tirar-lhe a vida e todos nós do Jornal da Paraíba estamos dando uma força para que ela vença esta luta.

Se você é do tipo que sabe que uma pequena ajuda pode contribuir para tornar o mundo melhor ou, até mesmo, salvar a vida de uma pessoa que você pode vir a encontrar um dia, na rua, sorrindo e feliz, abrace, contribua e passe para frente esta campanha.

Por ela, o meu obrigado.

André Cananéa

O rock como você nunca viu



Dedico este post a um dos jovens talentos do fotojornalismo paraibano. Anderson Silva foi um cara que eu conheci me pedindo acesso para fotografar um show do Oi Blues By Night, projeto que eu ajudava a produzir no Espaço Cultural José Lins do Rego, em João Pessoa.

De lá para cá, ficamos amigos e eu, fã das fotos do rapaz.

Aqui vai o texto que publiquei no Jornal da Paraíba desta quinta-feira, sobre a abertura da terceira exposição de Anderson.

Se você é de João Pessoa, ou está passando pela cidade por estes dias, e gosta de rock, não deixe de conferir as fotos iradas do cara.

Nas imagens acima: Falcão (O Rappa, RJ), Outona (PB) e Teco (Rancore, SP).

Clique aqui para conhecer o Flickr de Anderson Silva. Ou aqui para ir ao MySpace, ou aqui para acessar o fotolog.

‘Fragmentos Sonoros’ mostra o rock sob o olhar de Anderson Silva
Por: ANDRÉ CANANÉA

Se uma imagem vale mais do que mil palavras, quanto valerá em acordes? Uma boa maneira de descobrir isso é chegando lá no Espaço Mundo (Pça. Anthenor Navarro, s/n, Centro Histórico de João Pessoa) para conferir a mostra ‘Fragmentos Sonoros’, que reúne entre 25 e 30 fotografias do paraibano Anderson Silva. A mostra fica em cartaz até 18 de julho, sempre de quarta a sexta-feira, a partir das 18 horas.

As imagens foram capturadas ao longo de 2008 em shows e festivais em João Pessoa, Recife e Natal. “A ideia é passar ao público um pouco do clima dos shows, mostrando detalhes que se perdem no calor de um show. Coisa que só a fotografia consegue guardar”, comenta Anderson.

A mostra revela expressões de Falcão (O Rappa), Trinity (Venus Volts - SP), Jon Spencer (EUA), The Donnas (EUA), Rieg Wasa (PB), Diego Second (PB), Rancore (SP), além de algumas fotos promocionais, como da banda local Outona, e fotos de bastidores. “Todas as fotos têm algo de curioso ou de engraçado”, conta. “Vai desde chegar em cima da hora do show, assalto, até as fãs mais ousadas se ‘mostrarem’ para seus ídolos (risos)”.

Beatles em alto e bom som


Ainda bem que minha mulher já recebe metade do 13º salário amanhã. A grana será para o grande investimento do ano: os discos remasterizados dos Beatles, que chegam às lojas de todo o mundo no dia 9 de setembro de 2009 (ou 09.09.09).

O lançamento é tão superdooperwooper que tem até trailer rolando no Youtube (embora eu prefira a edição extendida que tá na Amazon):




No trailer aí de cima dá para ver como serão as caixas e os encartes, sem falar no som, que tem qualidade infinitamente superior aos CDs que já estão no mercado - CDs como 1 e Let It Be Naked já são remasterizados, mas são edições especiais que saíram ao longo dos últimos anos.

Agora, todos os 13 álbuns de estúdio, mais os dois Pastmasters (reunidos nunca única edição), ganham nova edição - com uma novíssima remasterização, feita ao longo de quatro anos por técnicos e engenheiros do estúdio Abbey Road, lançando mão tanto de tecnologia de ponta, quanto de equipamentos vintage.

Além das faixas originais, dos discos trazem mini-documentários que rodam no seu computador, através de Quicktime. O novo material promete imagens inéditas e diálogos extraídos da mesa de gravação.


Além dos avulsos, vai rolar um box com os discos em mono, para os fãs mais ortodoxos - muita gente, inclusive os fãs mais antigos, acreditam que os discos em mono dos Beatles têm uma qualidade superior. Se isso é verdade, eu não sei. Mas saem em mono preservando a concepção original.

Também sairá um box com os 14 discos (incluído o Pastmasters), mais um DVD que reúne os mini-documentários contidos em Quicktime nos avulsos.

E não custa nada lembrar que, junto com as reedições, chega às lojas o Beatles Rock Band.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Zé Ramalho em clima de São João

O Meu Blog anda meio parado, não? É, ando mais ocupado do que devia... breve, você terão boas novidades deste velho escriba aqui. Por enquanto, posto aqui a matéria que fiz sobre o disco novo do coterrâneo Zé Ramalho para o Jornal da Paraíba desta quarta-feira (17).

Zé Ramalho (re)encontra Luiz Gonzaga


Depois de um ótimo tributo a um dos grandes pilares do rock - Bob Dylan -, Zé Ramalho se volta às suas origens regionais no seu segundo lançamento em menos de um ano. No embalo do São João, e tal qual a conterrânea Elba Ramalho, Zé também lança um disco junino, mas baseado em um projeto todo peculiar. Zé Ramalho Canta Luiz Gonzaga (Sony-BMG, R$ 23, em média), que acaba de chegar às lojas, compila 12 faixas gravadas pelo paraibano nos últimos 20 anos.

Não tem mistério: o CD reúne músicas de Luiz Gonzaga, gravadas por Zé Ramalho e lançadas em discos como Brasil Nordeste (1991) e Nação Nordestina (2000). Mas a escolha do repertório não foi ao acaso. Por trás da seleção está o jornalista e pesquisador Marcelo Fróes, que tocou o processo de garimpagem para o seu selo, Discobertas, com o carinho de um tributo aos 20 anos de morte do Rei do Baião.

Como pesquisador, Marcelo tem recuperado, em primorosas edições em CD, parte do cancioneiro esquecido da nossa MPB. Entre seus feitos, inclua-se um trabalho anterior de Zé Ramalho, o álbum Zé Ramalho da Paraíba, O Trovador Solitário, de Renato Russo, e Chiclete Com Banana, compilação lançada no ano passado, com as gravações que Jackson do Pandeiro fez na antiga Columbia, entre 1958 e 1960.

O repertório de Zé Ramalho Canta Luiz Gonzaga resgata grandes sucessos do velho Lua, como “Asa Branca” (que se repete no medley “Baião/ Imbalança/ Asa Branca”), “Paraíba” (que aparece duas vezes, sozinha e junto com “Boiadeiro”) e a dobradinha “Olha pro Céu/ São João da Roça”, gravada ao vivo em Campina Grande para a coletânea O Melhor do Forró no Maior São João do Mundo, lançada em 2000 pela BMG.

Em meio às canções que vai fazer você e sua família dançarem quadrilha na sala de estar, o CD recupera quatro duetos: dois com Dominguinhos, um na divertida “Não vendo, nem troco” e outro em “Pau de arara”; com Xuxa em “ABC do Sertão” e com o próprio Luiz Gonzaga em “Fica mal com Deus”, incluída no álbum Duetos, lançado em 2004.

Além disso, Zé foi ao estúdio registrar uma versão inédita para “Amanhã eu vou”, que abre o disco. A faixa, creditada a Gonzagão e Beduíno, data de 1951 (lançada por Elba Ramalho em 1981) e foi gravada em apenas três horas. “Zé Ramalho e seus músicos de fé gravaram esta pérola e mostraram como pode ser prazeroso gravar como nos velhos tempos”, comenta o próprio Marcelo Fróes.

“O repertório de Lua na voz de Zé Ramalho parece um disco conceitual bem produzido. E, por isso, nada melhor que completar as 12 faixas, como em um bom e velho LP, com uma gravação atual e inédita”, indica o jornalista.

Zé Ramalho Canta Luiz Gonzaga é o terceiro título da série ‘Zé Ramalho Canta’. Começou lá atrás com Zé Ramalho Canta Raul Seixas (Sony-BMG, 2001) e passa por Zé Ramalho Canta Bob Dylan (EMI, 2008). Para o novo projeto, Zé Ramalho posou com chapéu de cangaceiro e, pela primeira vez, aparece sorrindo em uma capa de disco.

Em tempo: vale à pena dá uma conferida no projeto 'Discobertas', do Fróes. Para ir ao site oficial, clique aqui.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Sam Raimi fala sobre quarto filme da série Homem-Aranha

O diretor da franquia da Sony Pictures, Homem-Aranha, Sam Raimi, voltou às páginas dos jornais, revistas e da internet para reafirmar sua paixão pelo famoso personagem que nasceu dos quadrinhos e ganhou as telas de cinema para se transformar em uma das séries cinematográficas de maior sucesso dos últimos tempos, informou um comunicado da Sony Pictures, divulgado agora há pouco.

Em entrevista ao site Coming Soon, Raimi falou como foi aceitar dirigir o quarto filme da franquia, que chegará aos cinemas do mundo inteiro no dia 6 de maio de 2011.

“Eu só queria fazer o filme com Tobey Maguire porque meu interesse é deixar o personagem de uma forma mais profunda que nós nunca havíamos experimentado antes. Isso acontece com a familiaridade, um conhecimento de muitas coisas que são básicas. Eu acredito que este filme realmente nos permitirá explorar ainda mais seu íntimo como ser humano, o que vem a ser a verdadeira razão de eu estar aqui desta vez”.

Os detalhes da história de Homem-Aranha 4, que no momento está sendo escrita pelo roteirista David Lindsay-Abaire, permanecem em segredo absoluto.

Sem ainda revelar curiosidades como quem será o(s) próximo(s) vilão(ões), Raimi ressaltou que seja, lá qual for a história, ela deverá estar pronta nas próximas semanas e certamente estará focada em agradar em primeiro lugar o público.

“Definitivamente eu quero que meus filmes agradem o público. Se ele não gosta, eu não vejo sentido para continuar. A gente realmente busca satisfazer as pessoas”, confessou Raimi.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Ivete 2: Diversidade para as massas

Aqui vai a crítica do novo CD/DVD de Ivete Sangalo, Pode Entrar, que publiquei nesta quinta-feira no Jornal da Paraiba.

Ivete (D) recebe Bethânia (E) em seu baita apê, em Salvador (divulgação)

Diversidade para as massas
Por André Cananéa

Ivete Sangalo é uma artista pé no chão. Sabe que seu sucesso é fruto da popularidade das suas músicas e do carisma com que conduz sua carreira e não faz tipo. Em dez anos de carreira solo, já deixou claro como o sol de Salvador que não tem arroubos pretensiosos de lançar trabalhos de vanguarda, arrojados ou que seja inacessível ao seu público.

O novo projeto da cantora, Pode Entrar (Caco de Telha/Universal Music, R$ 32 o CD e R$ 39,90 o DVD), portanto, não é nada mais que a velha Ivete, acompanhada de amigos, familiares e ídolos, em seu trabalho mais intimista e sincero. A proposta não deixa de ser curiosa: eu seu big apartamento, ela recebeu talentos tão díspares quanto Maria Bethânia e a banda Aviões do Forró. O leque variado demais da conta leva, inevitavelmente, a irregularidade. Mas em se tratando de Ivete cabe o ‘e daí’?

Ivete se dá bem na animada “Balakbak” e no hit “Cadê Dalila”, com toques indianos e guitarra pesada. Faz uma releitura descente para o hit “Brumário”, de Lulu Santos, dividindo os vocais com o próprio Lulu, entra legal na onda de Marcelo Camelo (“Teus olhos”), cai no “reggae Armandinho” com Saulo (“Vale mais”) e mostra a irmã Mônica San Galo (a grafia é esta mesmo) com dignidade (“Completo”). Escorrega com Carlinhos Brown exatamente no que ela acreditava ser um ponto forte: a balada “Quanto ao tempo” é por demais piegas. E o encontro com Aviões do Forró (“Sintonia e desejo”) é nitidamente mercadológico.

Mas o encontro com Bethânia eleva o projeto a um patamar muito superior e o disco teria um outro nível se a direção musical tomasse esse rumo. Bethânia canta “Muito obrigado axé” junto com Ivete, cercada de um solene quarteto de cordas e uma percussão afro-baiana cativante. A música de Brown parece ter sido feita sob medida para a grande interprete baiana e Ivete está ali como mero coadjuvante. Ela sabe disso e fica feliz, afinal, é Bethânia, né?!

O DVD tem o tom espontâneo. Bethânia soltando um discreto ‘e não vai ser playback?’, na hora que o grupo todo vai gravar o clipe, é uma mostra da despretensão de Ivete.

Ivete no JP e no JB

Semana bem agitada a minha. Em dois dias, fui à Salvador (BA), entrevistei Ivete Sangalo, voltei a João Pessoa direto para o velório do avô da minha mulher, e fechei a noite de quarta para quinta-feira com o show impecável do rei Roberto Carlos.

Fui à Salvador a convite do jornalista Mário Marques, editor do Carderno B do Jornal do Brasil. Portanto, fui à coletiva de Ivete sobre o novo trabalho da cantora, Pode Entrar, como correspondente do Jornal do Brasil.

Mas o Jornal da Paraíba só me liberou, claro, se eu fizesse um texto também para o nosso jornal.

Portanto, fãs de Ivete, a cantora baiana rendeu duas capas, feitas por mim, em dois jornais distintos, o Jornal do Brasil, no Rio de Janeiro, e o Jornal da Paraíba, em João Pessoa.

Clique aqui para ler a matéria que saiu no JB. A versão digital do JB pode ser acessada aqui.

Clique aqui para ler a matéria que saiu hoje no Jornal da Paraíba.

Quando tiver um tempinho, volto aqui para contar os detalhes dessa viagem, da entrevista com Ivete e do show do rei.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

A cultura do remix da idiotice engraçada

A princípio, é uma coisa de desocupado, mas que rende boas gargalhadas.

Um sujeito veste seu gatinho de estimação com uma roupa de bebê e segura-o de uma maneira que as patas toquem um teclado, desses teclados musicais. Pronto, está aí o “gato dos teclados” (“Keyboard Cat”), uma espécie de videocassetada que fez sucesso no Youtube na base do “viral”, ou seja, aqueles e-mails do “fulano, vê isto aqui...” que passam de caixa postal em caixa postal.

Aí um belo dia, alguém que achou graça no Keyboard Cat, achou mais engraçado ainda associa-lo a alguma outra videocassetada, desta vez, de alguém caindo ou pisando num cocô de cachorro, ou coisa parecida. Assim, a famosa queda de Caetano, já comentada aqui no Meu Blog, ganhou uma intervenção hilária do gato.

O gato, aqui, tem uma inteligente função de comentarista. As intervenções "em suspense" significam que alguém vai se dar mal, e quando dá, ele começa a tocar a musiquinha. Muito esperto.

Os estudiosos chamam isso de “cultura do remix”. Você mistura um vídeo a outro para criar uma outra coisa, uma outra ideia. Claro, vale para vídeo, música, foto, textos, enfim, fusões que tragam algo de novo ao mundo moderno do entretenimento.

O fenômeno do “Play Him Off”, como vem sendo chamados os vídeos do gato tecladista, é muito parecido com os dos “funks” surgidos a partir de declarações, discursos e até palestras famosas na web, como a hilária do Ariano Suassuna.

Aqui estão os vídeos, a partir do original, com o gatinho tocando teclado, o vídeo do Caetano e o do pastor, extraída de uma reportagem feita pelo Fantástico.

Play Him Off - Keyboard Cat original



Play Him Off – Caetano Veloso



Play Him Off – Pastor adúltero

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Para não ficar sem movimentar o Meu Blog, aqui vai minha crítica para o ótimo disco do Móveis Coloniais de Acaju, publicado no Jornal da Paraíba desta quinta-feira (28):

Delícia de feijoada búlgara
Por André Cananéa / ****

Daqui a pouco, quando 2010 terminar, críticos, blogueiros e gente que gosta de música vai começar com aqueles olhares revisionistas do que ficou de mais importante na primeira década do século 21 para a música brasileira. O noneto Móveis Coloniais de Acaju, sediado em Brasília, estará nessa lista, com certeza. O grupo é um dos mais significativos na era MySpace, e suas ações representam o modelo atual de como artistas e público consomem a música nestes tempos MP3. Na base do clique-a-clique, o Móveis alcançou fama, foi ovacionado em festivais e circulou pelo Brasil (passou por Campina Grande, mas João Pessoa ainda não).

Por isso, não é de espantar que o segundo e aguardado álbum do grupo, C_MPL_TE (Trama), seja distribuído, gratuitamente, na internet, por meio do selo Álbum Virtual, que disponibilizou não só a música em ótima qualidade, mas também encartes, letras, etc. O disco traz 12 faixas e tem produção do tarimbado Carlos Eduardo Miranda (Mundo Livre, Raimundos, Lobão Acústico MTV, etc.).

O Móveis ainda nada na praia do ska, Strokes, carnaval e polca e toda aquela festa que eles mesmos chamam de “feijoada búlgara”. O clima “festa-pra-gente-bacana” foi mantido em C_MPL_TE, mas os arranjos estão mais elaborados. Nos ingredientes da feijoada, sax, flautas, gaitas e trombone a gosto, mais guitarra, baixo e bateria.

Os desavisados que ouvirem o álbum vão notar uma certa semelhança com o Los Hermanos, seja nos metais mais contidos, como nas letras inteligentes - mas bem mais despretensiosas (vide “Lista de casamento”). É só ouvir “Adeus” e “O tempo”. Mas não é a sonoridade da banda carioca quem norteia o trabalho da banda, que esbanja personalidade. As letras são muito bem sacadas (“Cão-guia”, “Sem palavras”) e o vocalista André Gonzales é um dos melhores da temporada, conduzindo uma banda coesa e madura. O resultado é uma deliciosa feijoada com gostinho de quero mais.



Quer conhecer mais sobre o Móveis Coloniais de Acaju? Clique aqui.




sexta-feira, 22 de maio de 2009

Elba Ramalho, o amor e o forró

Não sei aí na sua cidade, mas aqui em João Pessoa, o forró e as comidas de milho já começam a tomar conta de bares e restaurantes. Ou seja, o São João já começou (e começa de verdade já na segunda-feira que vem, em Campina Grande, a 120 km de João Pessoa).

No embalo, disponibilizo aqui uma matéria que fiz com a conterrânea Elba Ramalho sobre o disco novo da cantora, Balaio de Amor (Biscoito Fino), que é um bom disco, dentro da proposta estética que ela procurou, o do forró tradicional.

A matéria foi publicada no Jornal da Paraíba do último dia 10 de maio.

Tem duas coisas que eu gostaria de destacar na matéria que você vai lê a seguir:

1) Elba criticando os forrós de plástico, que são uma verdadeira praga aqui na região. O que há de errado neles? Você tem a tarde toda para ouvir (ler)?? Então lá vai: os vocalistas são - sempre - muito desafinados; os arranjos são sempre chupados de algum outro lugar e, geralmente, executados sem a menor empolgação (já reparou nisso?), sem falar que são irritantes (tente fazer o exercício de ouvir a música sem o vocal, para ver o que sobra); sempre falam de amor, mas um amor totalmente fake, ou tão verdadeiro quando anilina azul; as rimas são muito ruins, o português é sofrível e, para encerrar por aqui, as letras estão sempre tratando mulher como gado e - isso me dá uma dor no coração - ELAS ADORAM! Ou, pelo menos, muitas que eu conheço e outras tantas que pagam R$ 15, R$ 20, R$ 30 (e vai subindo) para ver um show ou comprar um DVD desses ditos "artistas".

2) ao final do texto, você vai encontrar uma coordenada, onde Elba fala que tem vontade de gravar um outro álbum ainda este ano: ou um tributo a Chico Buarque, ou um CD com músicas de Zé Ramalho. Para mim, tanto um, quanto outro, estão de bom tamanho.

Elba todo amor
Cantora lança ‘Balaio de Amor’, disco de forró que aposta no talento de novos autores nordestinos
Texto: André Cananéa / Fotos: divulgação

Há dois anos, Elba Ramalho, 57, lançava um disco antenado, pop e contemporâneo. Produzido por Lula Queiroga, entre outros, Qual O Assunto Que Mais Lhe Interessa? rendeu à cantora paraibana seu primeiro Grammy Latino, um tremendo reconhecimento para quem faz música no Brasil.

O Grammy marca, segundo Elba, uma fase esplendorosa em sua carreira. “Estou na fase de cantar. Eu acho que estou cantando melhor do que nunca. E isso para mim é uma honra. A crítica, o público... todo mundo está falando que eu estou no auge da minha maturidade”, conta a própria Elba, por telefone, do Rio, ao JORNAL DA PARAÍBA.

É nesse alto astral que ela coroa seus 30 anos de carreira. E para celebrar o momento, lança um disco de forró, um disco de forró arretado. Balaio de Amor, que sai pela Biscoito Fino, é um álbum que, de acordo com a própria Elba, celebra o amor. “Desta vez, eu queria saudar o amor. Fazer um disco que pudesse ser romântico, que pudesse ser popular e pudesse animar o São João de cada pessoa aí do Nordeste”, conta Elba, que emenda: “Porque a música popular é a forma do meu trabalho”.

O amor vem da nova paixão da cantora: o sanfoneiro pernambucano Cézar Thomaz, o Cezinha, 24. Cezinha, ex-discípulo de Dominguinhos (a voz do jovem é igual à do mestre, diga-se de passagem) está na banda de Elba desde julho do ano passado e topou produzir o novo álbum da cantora, junto com ela.

“O Cézar foi o esteio desse disco”, assume Elba. “Muitos dos compositores que estão no CD, foi ele quem me apresentou”, continha. “Na verdade, o Cézar me inspirou muito nesse disco, me acompanhou, me direcionou, arranjou as músicas, fez o disco. Na verdade, eu queria dar esse destaque a ele, esse músico jovem muito talentoso”.

Cézar vem de uma família humilde do Recife. Começou a tocar sanfona, sozinho, aos 13 anos e logo já sustentava a família de oito pessoas com sua música. Caiu nas graças de Dominguinhos, que apresentou o jovem músico à Elba já há alguns anos. Em 2008, com a saída de Toninho Ferragutti, e de passagem por Recife, Elba lembrou-se do prodígio sanfoneiro e convidou-o a integrar seu grupo.

Cezinha reuniu um time de compositores de primeira para Elba cantar. É gente da nova geração, que brota tanto em Pernambuco, como aqui na Paraíba. Estão lá Xico Bezerra (“Se tu quiser”), Petrício Amorim e Rogério Rangel (“Um baião chamado saudade”), Maciel Melo e Anchieta Dali (“Bebedouro”), Flávio Leandro (“Fuxico”) e Accioly Neto (“Me dá meu coração”), entre outros.

“Eu queria mostrar que ainda é possível fazer um disco de qualidade, sem ser apelativo. Mostrar que tem gente nova, talentosa, aparecendo, e que não são bandas de quinta categoria fazendo um forró leviano e pornográfico. Queria fazer um disco para resgatar o que é bom, para a gente não matar a memória e não matar a honra da música nordestina”, discursou.

Balaio de Amor é um disco simples, de raiz. É a voz de Elba, a sanfona de Cezinha (que ainda canta com Elba em “É só você querer”, canção inédita de Nando Cordel), zabumba e triângulo (com um pouco de guitarra, baixo, bateria...). O mestre Dominguinhos dá o ar da graça em “Riso Cristalino”, parceria dele com Climério Ferreira, e além da nova geração, a cantora resgata o clássico “Não lhe solto mais”, de Antonio Barros e Cecéu. Bom todo, Balaio... é sim um disco simples e cativante.

Cantora quer lançar outro disco ainda este ano

Os 30 anos de carreira de Elba, no entanto, não irão se resumir a um bom álbum. Ao JORNAL DA PARAÍBA, a cantora revelou que, para o segundo semestre, quer lançar um outro disco. “Estou entre um tributo ao Chico Buarque, que está comemorando 30 anos do disco A Ópera do Malandro, que marcou minha estreia, ou então Elba Canta Zé Ramalho, que é um pedido dos fãs”, adiantou.

Por enquanto, certo mesmo é o disco que une Elba Ramalho e a Spok Frevo Orquestra, do Recife, programado para o carnaval do ano que vem. É, Elba está com todo gás.

Clique aqui para conhecer a página do novo CD no site da Biscoito Fino.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Paris em alta velocidade

Tem sabor de descoberta arqueológica.

Hoje pela manhã, na redação, o repórter e crítico de cinema do Jornal da Paraíba, Renato Félix, veio com um link do Youtube.

Paramos - eu, Renato e Astier Basílio, repórter e crítico de teatro e literatura - assistir a um curta-metragem de pouco mais de 8 minutos, rodado em Paris, na França, no distante ano de 1976 (eu tinha um aninho!).

Trata-se de um carro (possivelmente uma Ferrari), em alta velocidade, cirulando pelas ruas quaaaase vazias de Paris. Só isso. Sem edição, nem qualquer tipo de trucagem (incluída, aí, uma certa aceleração, utilizada em cenas de perseguição em filmes de sucesso). Tudo na vera.

O motorista? Ninguém mais, ninguém menos que o diretor francês Claude Lelouch (foto), de Um Homem, uma Mulher, Os Miseráveis, entre outros marcos do cinema.

O filme - intitulado C'était un rendez-vous (ou simplesmente Redezvous, como ficou conhecido nos EUA) - é cercado de lendas e se tornou o cult do cult. Uma delas é que ele teria sido detido logo após a primeira exibição do curta (afinal, dá para se perder bons pontos na carteira em um país sério com a maneira como ele dirigiu o carro - você vão ver no vídeo) e que ele estaria dirigindo sua Mercedes, não a Ferrari que o barulho entrega.

Se você quiser saber mais curiosidades sobre o curta, clique aqui (em inglês).


Quando a ficcção científica deixa de ser ficção

Quem está imerso no estudo e nas leituras dos comportamentos que movem a humanidade nestes tempos modernos – mais precisamente, nestes tempos pós-internet – tem um grande norteador: o de compartilhar.

Olhe ao redor: tudo, hoje em dia, é compartilhado. Você compartilha suas idéias em blog, compartilha seus gostos, suas fotos e até seus relacionamentos no Orkut, compartilha dicas, ensinamentos, música, livros, textos, imagens, filmes, séries e tudo o mais que move seu cotidiano com uma infinidade de pessoas.

Todo esse preâmbulo para dizer: vi este vídeo aqui e quis compartilhar com vocês, meus queridos 22... oops, agora são 23... leitores.

É um especial de pouco mais de 20 minutos que a GloboNews levou a ar esta semana, dentro do programa ‘Espaço Aberto – Tecnologia’ – diga-se de passagem, este e a coluna Conecte, que vai ao ar todas as quintas-feiras, pelo Jornal da Globo, são meus programas favoritos, hoje.

O programa relaciona as idéias que os visionários escritores de ficção científica do passado tiveram e os que acabaram se tornando parte do nosso dia-a-dia.



Espero que vocês curtam tanto quanto eu curti.

terça-feira, 19 de maio de 2009

Pedro Pedra, o filme

Pedro Pedra - O Filme, acabou de ganhar seu primeiro teaser. E, pelo que acabo de ver, aposto que é uma mais promissoras produções rodadas em João Pessoa por estes dias.



O curta de 14 minutos, baseado em fatos reais, conta a história de um garoto que vai até as últimas consequências para conseguir drogas.

Lembro quando Rizemberg Felipe - ou apenas Berg para os amigos - comentou comigo que tinha visto a notícia nos jornais e que isso daria um curta. Isso não faz muito tempo, mas vamos voltar essa história para o começo.

Conheço Berg há, seguramente, dez anos. Trabalhamos nos Diários Associados aqui de João Pessoa e viemos juntos para o Jornal da Paraíba, em 2001. Logo, eu encontro Berg todo santo dia, desde 1999. Talentoso com imagens estáticas, aposto nele também nas imagens em movimento.

Berg sempre foi ligado em filmes e artes plásticas, sobretudo. Até que um dia, no ano passado, me disse que iria investir em um sonho: estudar cinema em Nova York. E que sonho! Do nada, lá estava Berg tirando o passaporte e embarcando para os States.

Foi estudar no renomado New York Filme Academy, pode onde passaram alguns alguns dos pequenos notáveis cineastas e videastas espalhados pelo mundo.

Durante 30 dias, ouviu dicas e ensinamentos de gente que já ensinou profissionais da Globo e gente do mundo inteiro. E teve a oportunidade de estudar ao lado de cineastas do mundo todo - inclusive um músico e ator irlandês, Glen Hansard, ganhador de um Oscar por Once/Apenas Uma Vez (à esquerda de Berg, na foto abaixo - e olha o cartaz do filme lá atrás!).

Ainda não sei se o curso fez de Berg um grande diretor. Além de trabalhos em vídeo para o curso, sua estreia ainda não aconteceu, mas nos deixa com uma boa expectativa.

Uma coisa eu posso dizer: conheço pouca gente com a sagacidade, inteligência e criatividade de Berg. Por isso, aposto em Pedro Pedra antes mesmo dele nascer.

As gravações do curta podem ser acompanhadas pelo blog oficial.

Clique aqui para ver uma matéria que o Bom Dia Paraíba levou ao ar na terça-feira (19).

Cinema Sucateado II - A Missão

Hoje, publiquei uma matéria no Jornal da Paraíba sobre o estado do Box Cinemas. Nela, está a resposta da direção do cinema sobre os fatos relatados no post anterior.

Aqui vai a matéria, na íntegra:

Sessões ‘problemáticas’ têm sido frequentes no Box Cinemas de JP
Direção diz que providências estão sendo tomadas e anuncia 3D até dezembro

Por: ANDRÉ CANANÉA


A primeira sessão da sala 5, do Box Cinemas, domingo passado, foi digna de O Destino do Poseidon - para não dizer Titanic. Projetor quebrado, atrasos, mudança de sala, gente correndo e – pior – ar condicionado sem funcionar. Esta foi a aventura de quem quis assistir a Anjos e Demônios lá, na sessão das 14h30, como este repórter, que pagou para ver na sala 5 (292 lugares) e acabou vendo na 8 (137 lugares), num calor dos diabos, se me permitem o trocadilho.

É com uma frequência surpreendentemente desagradável que as sessões no Box vêm sendo interrompidas, ou simplesmente não acontecem. Relatos que chegam à redação dão conta de que, só nos recentes Watchmen, X-Men Origens: Wolverine e o nacional Divã, ou a projeção estava fora de foco, ou a sala estava superlotada, ou o filme simplesmente parou na metade da exibição.

Além disso, o cinema está com uma aparência feia, de abandono. Os letreiros que trazem os horários do filme estão apagados. As sessões estão coladas em uma cartolina branca sobre os cartazes dos filmes, junto à bilheteria.

Por e-mail, a direção do Box fala das dificuldades em obter peças para a manutenção do equipamento. A peça para o letreiro já está a caminho e o painel deve voltar a funcionar até o final desta semana. “O mesmo acontece com os equipamentos de som e projetores. São equipamentos importados e delicados”, justifica Rosa Maria Vicente, da direção da empresa.

Mas Rosa diz que as providências estão sendo tomadas. “Trocamos a gerência com intuito de melhorar o atendimento e a operação do cinema”, informa. No e-mail, ela também conta que, semana passada, a empresa que presta manutenção ao Box Cinemas de João Pessoa fez uma manutenção nos projetores e equipamentos de som e o ocorrido no domingo passado foi “pura falta de sorte”.

“Estamos fazendo investimentos também na área de equipamentos, que podem ser sentidos/vistos pelo público. Nas salas 3 e 4, além dos projetores 35 mm, também estamos com projetores digitais. Divã, por exemplo, está sendo exibido na sala 4 em cópia digital”, escreve Rosa, que avisa: até o fim do ano, o Box tem planos de investir em uma sala 3D em João Pessoa.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

"Força estranha" derruba Caetano!

Tá todo mundo falando da queda de Caetano Veloso, num show, sábado passado, em Brasília.

Enquanto cantava "Força estranha", de Roberto Carlos, Caetano começou a andar e caiu do palco.

A queda da piada pronta: "Força estranha" derruba Caetano... kkkkkkk.

Para quem não viu, aqui está:



Clique aqui para ver a música na íntegra.