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sexta-feira, 22 de agosto de 2008

O Rappa e a transposição do São Francisco


Juro a vocês que, depois de ouvir mais atentamente ao disco novo d’O Rappa, achei que a versão para “Súplica Nordestina” não estaria ali gratuitamente, afinal, estamos falando do Rappa, uma banda que levanta bandeiras e tal.

Então pensei que o clássico gonzagueano seria uma brecha para o grupo falar da transposição do Rio São Francisco, um assunto palpitante aqui no Nordeste.

Mas não.

Aliás, tive a impressão que os caras comeram mosca e não ligaram uma coisa a outra. Pode ser que agora eles incluam o discurso da transposição em meio à música.

Aqui está a matéria que eu publiquei no Jornal da Paraíba de quinta-feira (21):

Em novo CD, Rappa grava clássico de Gonzagão em ritmo de reggae

Fé, cidadania, violência urbana, Rio de Janeiro, gente. O Rappa está de volta aos temas que fi zeram a fama do grupo carioca nos últimos 15 anos em um dos melhores álbuns da banda, 7 Vezes (Warner, R$ 32,90, em média), que acaba de chegar às lojas. Cinco anos separam o novo CD do último trabalho de estúdio (O Silêncio que Precede o Esporro) e entre um e outro, o grupo emplacou um ótimo disco acústico.

“A turnê do Acústico MTV era para ter ficado sete meses na estrada e ficou dois anos. Depois, a gente passou um ano aprontando este novo CD”, justifica o guitarrista Xandão, que completa: “A gente não tem essa obrigação com a gravadora de ta fazendo disco. A gente faz quando acha que tem algo a mostrar”.

Xandão, que é paraibano, falou com o JORNAL DA PARAÍBA no Mada, em Natal (RN), na madrugada da última sexta-feira. Tinha acabado de fazer um dos últimos shows da turnê que passou por João Pessoa em junho, cujo repertório não deu brechas para o novo disco. ‘7 Vezes’ terá lançamento nacional em uma temporada de três dias no Canecão (RJ) a partir do próximo dia 28.

A nova turnê já tem datas até o final do ano e passa por Campina Grande no dia 30 de novembro. “A gente nunca foi a Campina Grande e fica muito feliz de poder ir agora, com o disco novo. Nossa história sempre foi na estrada, uma banda que está o tempo todo ao lado da galera. A gente faz o máximo que puder para chegar o mais longe possível”, conta Xandão.

7 Vezes traz 13 músicas d’O Rappa (das quais, 10 do Marcelo Lobato) e uma versão para “Súplica Cearense”, de Gordurinha e Nelinho, uma das canções mais famosas do repertório de Luiz Gonzaga. “O Falcão tinha um disco do Luiz Gonzaga e quando ele viu a letra, adorou. Daí foi mostrar pra gente”, conta Xandão, revelando que o grupo nem sequer chegou a ouvir a música original. Da letra, extraíram um reggae onde Falcão canta como se fosse Peter Tosh.

“Foi a letra que nos fez gravar a música. Eu mesmo não conheço a música, nunca ouvi nenhuma gravação ou regravação dela”, admite o guitarrista.

Dos versos “Oh Deus, perdoe esse pobre coitado / Que de joelhos rezou um bocado / Pedindo para a chuva cair sem parar”, “Súplica cearense” envereda pela problemática da seca no Nordeste, o que, vindo de uma banda engajada como O Rappa, poderia levar a pensar se tratar de uma abordagem à transposição do Rio São Francisco, assunto palpitante nos dias atuais na região. Mas Xandão nega.

“A gente até gosta de abordar essas questões políticas, mas é preciso ter um embasamento muito forte”, justifica. “Eu até vi um deputado, que eu não sei dizer agora qual, dizendo que não basta que pessoas que nunca beberam daquela água, nunca tomaram banho naquele rio, dizerem como deve ser. Os povos ribeirinhos, os estados que são margeados por aquele rio é que devem dar suas versões dessa história toda.

Seria prepotência da minha parte chegar e discursar sobre qualquer tipo de tema em relação a isso, até porque não vivo lá, não sei quais são as dores daquele lugar”, disse.

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

O rock de verdade do Motosierra


Poetas Elétricos, Motosierra e NV, na noite desta quinta-feira, no Mada (foto: Rogério Vital/divulgação)

Já passa das três da madrugada desta sexta-feira (16) quando começo a escrever estas mal traçadas linhas.

Desde pontuais 21h30 vejo uma maratona de shows de bandas de todos os tipos. É assim um festival de música pop. É assim o Mada, que acontece até sábado na arena do Imirá Plaza, em Natal (RN).

Foram sete bandas, mais O Rappa fechando a noite. Confesso que fiquei decepcionado, porque o grupo carioca não tocou nada do disco novo, 7 Vezes, que tem lançamento oficial nesta sexta-feira.

Mas o show dos uruguaios Motossierra fez a noite valer muito à pena. Mas já já eu falo dele.

Hoje eu vi Poetas Elétricos (RN), que me pareceu uma mistura de Morcheeba com a Blitz. Depois rolou o Amps e Lina (PE) - em busca do Radiohead perfeito -, os cariocas NV (nü metal com categoria, um dos shows mais empolgantes da noite), os ingleses, opa, pernambucanos do Sweet Fanny Adams (para fãs do Strokes) e o irado Brand New Hate (RN), bem legal também.

Eu não posso dizer que vi o Rastafeeling, porque eu não vi mesmo. Não gosto de reggae, mas o público de Natal gosta bastante.

E esse mesmo público não gostou do Motossierra. Ou recebeu com estranheza os quatro rapazes uruguaios.

Tomemos o rock como um gênero rebelde, provocativo e debochado. Leve tudo isso a máxima potência e você vai ter uma vaga noção do que é o show do Motosierra.

Quando cruzei com o baixista, que seguia de cabeça baixa, solitário, a caminho do palco, com uma camiseta amarela do The Cramps, eu tive a certeza que o show iria prestar.

Ensurdecedor, visceral e tresloucado são as três palavras que resumem a apresentação. O vocalista Marcos Motosierra é o melhor sucessor de Iggy Pop. Berra, pula, grita, baixa as calças e enfia o microfone (ligado) no fiofó. Isso mesmo.

Às vezes, lembra Axl Rose dos tempos de Live ?!*@ Like a Suicide.

Pula no público e chama voluntários para a platéia. Quando menos espero, lá está a minha amiga Olga, roqueira e fã dos uruguaios, dividindo os vocais de "Rock 'n' roll all night" (Kiss) com Marcos. Tá tudo gravado (eu mesmo gravei, com um celular Sony-Erisson com 3.2 mega pixel) e agora no Youtube:


O som é ininteligível. As guitarras altas e o baixo galopante. Mas a energia é fora do comum.

Veja aqui outro vídeo. Aumente o volume!


Pena que o público era de Jah, rastafari e ganja! Não tinha sensibilidade para se embasbacar com uma legítima apresentação de rock 'n' roll como essas.

Vou dormir. São quase 4 horas. Tô só o coió.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

'7 Vezes' é O Rappa em grande forma

Recebi hoje o CD 7 Vezes, o novo álbum do Rappa.

Minhas primeiras audições foram bastante empolgantes.

Eu conheço o Rappa desde 1995, quando estava na universidade de Jornalismo.

Vi o Rappa Mundi chegar às lojas e passei a acompanhar de perto a trajetória dos caras.

Cheguei a fazer uma longa entrevista com Yuka quando a banda esteve em João Pessoa, em 2000. Depois saimos para comprar discos, ele, eu e uma amiga dele, jornalista americana que acompanhava O Rappa pelo Nordeste.

Poucos meses depois, Yuka foi assaltaldo, ficou paraplégico e, em 2001, saiu da banda.

Mas continuei prestigiando O Rappa. Confesso que andava meio de saco cheio das mesmices. Afinal, há cinco anos eles não lançavam um disco de inéditas - o último foi O Silêncio Que Precede o Esporro (adoro esse título - o disco, nem tanto).

Aí agora lançaram este 7 Vezes.

Minhas primeiras impressões são as seguintes: é um disco bem trabalhado. A faixa de abertura, "Meu santo tá cansado", tem até cordas. O vocal de Falcão nunca esteve tão versátil. Ele realmente estava buscando coisas novas para a carreira da banda. Os arranjos são mais consistentes e, no geral, o disco me lembra o último do Red Hot Chilli Peppers, Stadium Arcadium, que eu gosto bastante e também fez com que eu me reaproximasse da banda (veja bem, sou um cara que não gosta do Californication, viu?!)

Aqui, uma palhinha do disco. Escolhi cinco faixas do novo CD (são 14 no total) para vocês ouvirem.

As faixas são:

1. Meu santo tá cansado
2. Hóstia
3. Monstro invisível (o primeiro single, que eu já havia postado aqui)
4. Maria
5. Súplica cearense

Já me perguntaram porque eu não posto para download. Porquê não acho correto. O disco tá chegando agora nas lojas e os caras suaram a camisa para botar o produto na rua. Acho que a gente deveria valorizar. Bem, este é um ponto de vista meu, que coleciono CDs (pago caro por eles) e, definitivamente, não ajudo o camelô da esquina, que não faz porra nenhuma da vida a não ser comercializar um mero control C+ control V, a ter um barco e casa na praia, enquanto eu tive que encarar uma universidade, pagar uma especialização e me lascar em jornadas exaustivas de redação para ter um carrinho.

Mas acho legal compartilhar para vocês ouvirem, como se estivessem lá em casa e eu falasse: "vamos ouvir o disco novo do Rappa?!".


Discover O Rappa!

terça-feira, 8 de julho de 2008

Música nova do Rappa chega às rádios hoje


"Monstro invisível" é o nome da nova música do grupo carioca O Rappa, que chega hoje às rádios de todo o país.

O disco novo está prometido para 15 de agosto, via Warner. E o grupo excursiona pelo Nordeste neste e no próximo mês. Agora em julho passa por João Pessoa (dia 20, no Parque Cowboy) e em agosto, é atração do Mada, em Natal.

Clique aqui para ouvir "Monstro invisível".

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Mada terá Sepultura, Rappa e Pato Fu




Sepultura, O Rappa, Pato Fu (de cinema para baixo) e ainda Seu Jorge e Lobão serão algumas das atrações da edição de 10 anos do Mada – Música Alimento da Alma.

Uma fonte bem segura garantiu que esses nomes estarão no festival, que oficialmente só confirmou os nomes de Malu Magalhães (SP), cantora e compositora paulistana de 14 anos, considerada uma das grandes revelações deste ano, as potiguares Brand New Hate, Lunares, Isaac e a Síntese Modular, Rosa de Pedra e BarbieKill, além da carioca Macanjo, vencedora da seletiva Mada Laboratório Pop.

Sepultura e O Rappa estão em estúdio gravando discos novos (O Rappa, aliás, promete lançá-lo em agosto). Pato Fu chega em Natal com a turnê ‘Daqui Pro Futuro’ e Lobão mostra por lá o seu ‘Acústico MTV’.

O Mada – que é um dos festivais de música pop mais legais do país – acontece nos dias 14, 15 e 16 de agosto, novamente na Arena do Imirá, em Natal, RN.

Atrelado ao festival, vai de 30 de junho a 5 de julho a 7ª edição do Curta Natal, que este ano receberá filmes de longa-metragem, além de suas tradicionais mostras competitivas.

Já nos dias 25 e 26 de julho rola as seletivas Radar Indie, que irá escolher bandas para se integrar à programação deste ano.

É bom ficar ligado no www.festivalmada.com.br