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terça-feira, 19 de agosto de 2008

Uma breve reflexão sobre a cena de Natal

Lunares, que tocou na sexta-feira (foto: Rogério Vital/divulgação)

É digno de nota, também, o salta de qualidade da cena musical de Natal. Claro que ainda existem bandas como The Volta, que segue o caminho do “cover velado”, extraindo do que tá em voga a sonoridade fácil, aplicada a letras que não fogem do trivial e que se entregam com um cover chinfrim ao final do show. Felizmente para cada The Volta do Mada, havia um Poetas Elétricos, um Lunares e um Rosa de Pedra.

Mas no geral, a percepção que eu tenho da cena de Natal é que a moçada melhorou - e muito - como músicos, como autores e como proposta, de buscar algo novo e inteligente para a música brasileira. E isso é tanto fruto de dez anos do Mada, quanto do Festival do Sol, importantíssimo no fomento do público, ao trazer o circuito alternativo uma segunda vez ao ano para Natal.

Recebi algumas demos e dois DVDs - um com a turma do selo do Anderson Foca e outro com a rapaziada do selo (ou selos...) do Alexandre Alves.

Vou assistí-los e comentar aqui mais sobre a cena de Natal, em breve.

Depois de recarregar as baterias...

Foram 48 horas para completar novamente a carga.

Afinal, três noites sem dormir, um rodízio de camarão em Ponta Negra e três super pratos de penne a bolonhesa (mas um por jantar) destroem qualquer trintão como eu.

Afinal, no primeiro Mada, eu era apenas um garoto de 22 anos. Outros tempos.

Por isso estive longe de vocês, meus agora 9 leitores (o Meu Blog teve um aumento considerável de audiência depois do Mada).

Mas eu queria fazer aqui algumas reflexões sobre o festival.

Foram três noites, 21 bandas independentes – incluindo duas atrações internacionais – e cinco headlines: O Rappa, Pato Fu, Lobão, Cordel do Fogo Encantado e Seu Jorge.

Para que servem os headlines em um festival como o Mada? Para atrair o público para os ilustres desconhecidos da noite, que têm meia-hora para mostrar porque é the next big thing.

O problema é que, como aqui em João Pessoa, o público de Natal não sai de casa antes das 23 horas. Ou seja: não adianta, o público vai mesmo para headlines e pronto.

Mas mesmo cedo, na platéia já estão os jornalistas, produtores e formadores de opinião.

Já vi de perto bandas se darem bem no Mada. O Detonautas assinou contrato depois que a apresentação dos caras foi destaque em O Globo. Felipe Lerena, da Nikita, assinou com o Cabruêra, na minha frente, no restaurante do hotel, o contrato que levaria os paraibanos para a primeira de várias turnês na Europa. E o Zefirina Bomba, quando tocou pela primeira e única vez no Mada, só tinha na platéia o Miranda, eu e mais meia-dúzia de curiosos. Foi o suficiente para dar início a carreira que levou os caras aonde eles estão hoje.

E por aí vai.

Mas o foda é que alguns colegas exigem demais da garotada. Os caras assistem aos shows como se estivessem diante dos Rolling Stones, onde nada pode sair errado, guitarra tem que estar perfeita e vocalista não pode desafinar. Eu penso que lá em cima tem um monte de estreantes, nervosos pra caralho e completamente vulneráveis a esse tipo de coisa.

Por isso, gostei de bandas que muita gente não gostou, e desgostei de outras que alguns gostaram.

domingo, 17 de agosto de 2008

Enquanto isso, no hotel...

Dez anos é uma data importantíssima para ser comemorada. Principalmente se as velas serão sopradas por um festival independente de pop-rock no Brasil, ainda mais no Nordeste, onde sai muito caro trazer artistas de partes distantes do país (como São Paulo e Rio de Janeiro), o público não dá valor e as adversidades são grandes.

Vamos reconhecer: Jomardo Jomas, em seu jeito leve e sempre astral de encarar a produção do Mada, é um herói!

Se a chuva molhou o brilho da última noite, nos bastidores um momento mágico tratava de fechar, de uma maneira bastante especial, uma década de alimento para a alma.

No piano-bar do Imirá Plaza, onde o Mada acontece há uns seis anos, eu acho, Mallu Magalhães e banda, Cordel do Fogo Encantado, Sem Horas, Bruno Negaum, Josh Rouse e companhia, jornalistas e a produção do Mada (incluindo Jomardo e Gisa) faziam uma grande jam session, com muito folk, Beatles e rock. Uma puta confraternização e, quiçá, histórica.

Pense daqui a mais dez anos. Mallu vinga como uma grande cantora e compositora e se torna um nome bastante respeitado da MPB no Brasil. Josh tem o devido reconhecimento pela sua obra e se torna, enfim, a merecida estrela internacional. E alguns dos músicos iniciantes ali chega ao sucesso, além do Cordel, que já é uma banda reconhecida em todo país.

Em algum momento, alguém vai achar uma foto (essa daí eu fiz com meu celular, mas já fiz 3 backups dela), ou um vídeo. Vai ver Mallu novinha, Josh tomando cerveja como qualquer pessoa comum, Lirinha cantando Beatles e até uma camisa do Botafogo da Paraíba! Um momento histórico onde a música, a vida e a alma foram lindamente celebradas.

Parabéns, Mada.

Invocações para uma noite líquida


Cordel do Fogo Encantado (E), Seu Jorge (D) e o público debaixo de chuva (fotos: Rogério Vidal/divulgação)

Chove chuva, chove sem parar.

Jorge Ben Jor – que já tocou duas vezes no Mada – não estava lá desta vez, mas sua música, regravada com sucesso pelo Biquíni Cavadão, era bem apropriada para o encerramento do Mada 2008, sábado (16), em Natal.

O sábado foi de sol. Bonito que só vendo. Aí veio o eclipse da lua e o Cordel do Fogo Encantado.

Sob os versos de “Chover (ou invocações para um dia líquido)”, caiu um toró que não parou pelas três atrações seguintes: Josh Rouse, Seu Jorge e Montage.

A chuva fina e constante alagou o animo do público que saiu de casa naquela noite, muito provavelmente para ver Seu Jorge, que nunca se apresentara em Natal.

O show do Seu Jorge foi bem chato, comparada ao que eu vi em João Pessoa, em janeiro deste ano. Quando terminou o show, Seu Jorge passou disparado para o hotel, com cara fechada e sozinho.

O que terá acontecido ao cantor carioca?

Antes dele teve o Josh. “Obrigado por terem ficado na chuva”, agradeceu, em inglês, o cantor e compositor norte-americano, bastante queridinho da critica e um compositor e letrista talentoso. Mesmo debaixo de chuvam, havia fãs cantando junto as músicas de Josh.

Josh fez o que prometeu, um apanhado dos seus quatro últimos trabalhos. O set list você viu aí embaixo, né? Entre os melhores momentos, “Come back (Light therapy)”, do elogiado 1972 e “Sweetie”, faixa que abre o novo CD, Country mouse, city house. Fechou o show com “Directions”, da trilha do filme Vanilla Sky, que nem constava no set.

Paola e Fabiana, as tour managers locais, me falaram que Josh em São Paulo foi um sucesso. Show em teatro para 600 pessoas, esgotado há dias, e boa parte delas correu para comprar os CDs que o músico trouxe na bagagem (entre eles o novo, 1972 e alguns EPs) - apenas um CD de Josh Rouse saiu no Brasi, Home, de 2001 se eu não me engano.

Em Natal, parece que só eu comprei os CDs.

O Montage eu não vi. Tava chovendo muito, eu tava todo molhado e com frio. Fiquei no backstage.

Aqui, vídeos das bandas de sábado que eu mais gostei:

Rosa de Pedra (RN)


Mallu Magalhães


Josh Rouse cantando “Directions”

Debaixo de chuva, Josh Rouse faz show impecável

Foi só o norte-americano Josh Rousa pisar no palco que caiu um toró da gota.

Debaixo de chuva, o cantor e compositor pop-folk-bossa fez um show impecável.

Acompanhei a apresentação de cima do palco. Ao meu lado Malu Magalhães estava bem atenta ao show.


Josh e eu, logo após o show



Set list (clique para ampliar)

Daqui a pouco eu falo mais sobre o show e posto um vídeo.

Agora começou Seu Jorge e a chuva nao para.

Josh me disse que era um grande fã de Seu Jorge. Não conhecia a banda Farofa Carioca e que gostava das versões que ele fez para David Bowie.

Vai entender...

O fenômeno Mallu

Fiquei bastante impressionado com o show da Mallu Magalhães, que acabou de acabar aqui no Mada.



Como você viu aí embaixo, ela é uma garota de 15 anos que compõe e canta músicas em inglês com forte influencia do folk e do country, coisa que a esmagadora maioria da garotada da idade dela não dá a mínima.



Mallu subiu ao palco com aplausos e gritos histéricos. Jovens da idade dela se acotovelavam para ver a garota de perto. E pelo telão, via-se que a turma do gargarejo sabia as letras de cor e salteado – letras em inglês, repito. A turma cantava, aplaudia e suspirava cada vez que ela sacava uma música do repertório do seu MySpace.



Mostrou, para quem quisesse, que era sim um fenômeno. Da internet, mas um fenômeno.
A banda que a acompanha é muito boa – e os integrantes, mais velhos que ela.



O grupo que está com ela se chama Pete Hassle and Something Blue, de São Paulo. O grupo já está na estrada há cinco anos - portanto, ela tinha 10 anos. “Dia desses eu tava fazendo as contas: quando ela nasceu (1992) eu tava comprando o meu primeiro violão”, diz o guitarrista Kadu Abecassies, hoje com 27 anos.



Abecassies é o caçula. O mais velho tem 41. A formação é Jorge Moreira (bateria), Thiago Consorti (baixo), Rodrigo Alencar (teclado) e Kadu. A banda está com Malu desde outubro e está para lançar o segundo álbum – o primeiro se chama Oh No, Not Yet! e pode ser ouvido no MySpace do grupo.



Ah, mas eu estava falando como eles se conheceram. Pois bem, de presente de 15 anos, Mallu pediu dinheiro aos pais para gravar suas músicas. Gravou no estúdio Lúcia no Céu (SP), de Jorge Moreira, colega de banda do professor de piano da garota, o Rodrigo Alencar. Os dois recrutaram a banda para gravar as músicas da Mallu e Kadu, que já era técnico do estúdio, conta que todo mundo ficou bastante impressionado com as composições.



A banda confere um alto nível a apresentação, mas Mallu tem seus méritos. Canta, toca violão e gaita e é afinadinha, com uma ótima pronúncia em inglês (escorrega, por incrível que pareça, quando canta em português a única música do repertório). As canções são cativantes e bem feitas e além das autorais, ela emplacou versões para “I’ve Just see a face” (Beatles) e “Folsom prison” (Johnny Cash).

Ficou curioso? Ouça as músicas da Malu aqui.

MAIS CEDO


Antes da Malu, subiram ao palco do Mada quatro bandas: Rosa de Pedra, um ótimo grupo de Natal que tem três mulheres à frente, misturando maracatu, umbanda e rock, meus conterrâneos Sem Horas, que começaram o show sem vocais e bateria, mas ao final, a performance de Igor Tadeu e cia. arrancou aplausos do público.

Macanjo (RJ) e Falcatrua (MG) apareceram em seguida, mas foram recebidos com frieza, principalmente o Macanjo, que inclui saxofone e trompetes ao baixo, rock e bateria. O Falcatrua é bem performático e cantou até a clássica "Roupa velha colorida", do repertório de Elis Regina.


com fotos de Rogério Vidal/divulgação

sábado, 16 de agosto de 2008

A filha de Bob Dylan

Alguns posts atrás, eu falava de um filme que eu tinha visto e gostado muito, The Son of Rambow (O Fillho do Rambow).

É um filme que, acima de tudo, fala da amizade entre dois garotos bem diferentes - um bem pestinha e outro bem ingênuo e bonzinho.

Com um enredo que se passa na Inglaterra dos anos 1980, o bonzinho pira o cabeção ao assistir Rambo - Programado Para Matar e passa a achar que é filho do próprio Sylvester Stallone! (o que rende ótimas tiradas)

Acabei de ver a passagem de som da Malu Magalhães, uma garota de 15 anos alçada a hype por ser uma garota de apenas 15 anos que abraçou o folk (gênero nada comum por aqui), canta e compõe em inglês, toca violão e gaita e sua imagem parece a de um jovem Bob Dylan de saias.

Então podemos dizer que é a Filha de Dylan, certo?!

O show é daqui a pouco, aqui em Natal. Aqui está um trecho da passagem de som que rolou nesta tarde:


Mada: segunda noite é do Lunares




Curumim e Lunares - no alto - Poliéster e Pato Fu - embaixo (fotos: Rogério Vidal/divulgação)


A segunda noite do Mada chegou ao fim. Ou quase. O Pato Fu acabou de sair do palco, depois de uma apresentação divertida. Alguém esperava menos? Eu não. O grupo, que voltou com disco novo (Daqui Pro Futuro) depois de um tempo, fez um show "Greatest Hits", revisitando o melhor da discografia.

Tocaram até o metal "Capetão".

Agora quem tá tocando é o Lobão. Engana-se quem pensa que ele está fazendo o repertório do Acústico, que eu gosto bastante. Por isso que eu tô aqui, no computador. Sacou?

Hoje foram oito bandas, além do Pato Fu e do Lobão. Três foram de Natal: The Volta, Lunares e Síntese Modular. Gostei muito do Lunares. Fiquei de bobeira com o show. Com letras em português e um som que remete aos primeiros discos do U2, referências a Coldplay e Muse, fizeram um dos melhores shows desses dois dias.

Com 21 anos de idade - ele tinha 11 quando o Mada começou - o vocalista Rodrigo é um dos mais promissores cantores da nova geração do rock potiguar, talvez, do rock nacional. A versatilidade com que ele vai do falsete suave ao agudo gritado (no melhor estilo de bandas como o citado Muse) é quem dá essa moral a ele.

A música do trio têm letras consistentes e é melodicamente muito bem resolvido. É uma ótima promessa para o futuro.

Nesta noite também rolou o Subáquaticos, que acabei não vendo, porque fui para tenda eletrônica, o Políester, que acabou não funcionando tão bem ao vivo, além de ter tido problemas com a luz, e o tão falado Curumim, que correspondeu muito bem a todas as minhas expectativas. É um samba-funk de primeira, liderado pelo tal Curumim, que é filho de japoneses. Ele canta e toca bateria e no palco, é acompanhado por um DJ e um baixista, ambos munidos de sintetizadores. O resultado é contemporâneo, as letras são inteligentes e o suíngue é de primeira!
A noite também teve Autoramas. Para mim, ainda é uma das grandes bandas de rock do país.

Aqui está um vídeo que fiz com o celular do Curumim. Mas aconselho que você dê uma passada no MySpace do garoto, que vale muito à pena.



Bem, agora eu vou ver o final do show do Lobão.

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Aeróbica ciberpunk


Estou na sala de imprensa do Mada. Acabei de vir de uma performance da paulista Madame Mim, um desses fenômenos da cena electroclash.

Primeiro foi o DJ. Depois, a rave. E agora, as performances. Num palco apertado, uma vocalista e um DJ botam a molecada para dançar.

Ano passado, o Montage, do Ceará, fez uma performance inesquecível no Mada. Na chamada tenda eletrônica, destinada a DJs, o grupo arrastou o público do Detonautas e o lugar ficou pequeno e quente (em todos os sentidos), a ponto de garotinhas de fino trato levantarem a blusa na hora do "Peitinho" (alguém gravou, botou no Youtube, mas três dias depois já tinha sido retirado).

Não sei se foi isso (o show do Montage, não o vídeo dos "Peitinhos") que detonou uma onda electro em Natal, mas o fato é que um dos grupos mais populares da cidade é o Barbekill, que se apresentou ontem. Fui dar uma volta e passei pela tenda. Vi um burburinho e pensei até que era algum sorteio da Tim (patrocinadora do festival). Era um show da molecada, bem animado.

Daí hoje foi a vez da Madame Mim. Nascida em Buenos Aires há 28 anos, há 25 morando em São Paulo, Madame Mim é Mariana Eva que, acabei de descobrir, chegou a fazer parte da banda Polux, de onde saiu a Bianca do Leela.

Mariana embarcou na onda electro. Com um ano, já foi duas vezes a festivais da Europa e se apresenta pela primeira vez em Natal, com total reverencia por parte da molecada.

Impressionado com a voracidade com que garotos e garotas na faixa dos 15 aos 20 anos idolatravam a cantora, perguntei a Mariana se a onda electro era uma coisa teen. “É uma geração nova, mais antenada com o electro, que também é uma coisa nova. O rock ficou para os mais velhos”, disse.

Mariana confirmou que a idéia é a pura diversão mesmo. Com um collant amarelo e violeta, em cima de uma mesa e cantando em espanhol letras sem o menor sentido sobre batidas aceleradas, a impressão que dava era de se estar em uma aula de aeróbica ciberpunk ou coisa parecida. Na platéia, a molecada levantava faixas, cartazes e dava gritinhos histéricos.

Moral da história: meia-hora de balada frenética, camisa suada e meio quilinho a menos.


O rock de verdade do Motosierra


Poetas Elétricos, Motosierra e NV, na noite desta quinta-feira, no Mada (foto: Rogério Vital/divulgação)

Já passa das três da madrugada desta sexta-feira (16) quando começo a escrever estas mal traçadas linhas.

Desde pontuais 21h30 vejo uma maratona de shows de bandas de todos os tipos. É assim um festival de música pop. É assim o Mada, que acontece até sábado na arena do Imirá Plaza, em Natal (RN).

Foram sete bandas, mais O Rappa fechando a noite. Confesso que fiquei decepcionado, porque o grupo carioca não tocou nada do disco novo, 7 Vezes, que tem lançamento oficial nesta sexta-feira.

Mas o show dos uruguaios Motossierra fez a noite valer muito à pena. Mas já já eu falo dele.

Hoje eu vi Poetas Elétricos (RN), que me pareceu uma mistura de Morcheeba com a Blitz. Depois rolou o Amps e Lina (PE) - em busca do Radiohead perfeito -, os cariocas NV (nü metal com categoria, um dos shows mais empolgantes da noite), os ingleses, opa, pernambucanos do Sweet Fanny Adams (para fãs do Strokes) e o irado Brand New Hate (RN), bem legal também.

Eu não posso dizer que vi o Rastafeeling, porque eu não vi mesmo. Não gosto de reggae, mas o público de Natal gosta bastante.

E esse mesmo público não gostou do Motossierra. Ou recebeu com estranheza os quatro rapazes uruguaios.

Tomemos o rock como um gênero rebelde, provocativo e debochado. Leve tudo isso a máxima potência e você vai ter uma vaga noção do que é o show do Motosierra.

Quando cruzei com o baixista, que seguia de cabeça baixa, solitário, a caminho do palco, com uma camiseta amarela do The Cramps, eu tive a certeza que o show iria prestar.

Ensurdecedor, visceral e tresloucado são as três palavras que resumem a apresentação. O vocalista Marcos Motosierra é o melhor sucessor de Iggy Pop. Berra, pula, grita, baixa as calças e enfia o microfone (ligado) no fiofó. Isso mesmo.

Às vezes, lembra Axl Rose dos tempos de Live ?!*@ Like a Suicide.

Pula no público e chama voluntários para a platéia. Quando menos espero, lá está a minha amiga Olga, roqueira e fã dos uruguaios, dividindo os vocais de "Rock 'n' roll all night" (Kiss) com Marcos. Tá tudo gravado (eu mesmo gravei, com um celular Sony-Erisson com 3.2 mega pixel) e agora no Youtube:


O som é ininteligível. As guitarras altas e o baixo galopante. Mas a energia é fora do comum.

Veja aqui outro vídeo. Aumente o volume!


Pena que o público era de Jah, rastafari e ganja! Não tinha sensibilidade para se embasbacar com uma legítima apresentação de rock 'n' roll como essas.

Vou dormir. São quase 4 horas. Tô só o coió.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Mãe, cheguei!

Mais de 24 horas sem postar e eu já estava me coçando aqui.

É que eu estava deixando tudo pronto para poder vir ao Mada 2008.

Acabo de chegar a Natal e sobreviver às crateras que ligam João Pessoa (PB) a Natal (RN).

A estrada, que está sendo duplicada, vai bem até pouco depois da divisa entre os dois estados. Depois, tome muito cuidado, caso contrário vai ficar pela estrada.

Fiz o percurso em 2h40, o que é bom, considerando os buracos e também os caminhões.

Viemos eu e minha amigona Olga, que vai cobrir o festival pro Lado Norte. No som, rolou Richard Cheese (de gozação), Teenage Fanclub, Nina Simone e uns avulsos lá. E muito pop sobre rock, Batman - Cavaleiro das Trevas, Nova York, Los Angeles e pessoas.

Acabo de chegar no hotel e vou dar um rolé no festival - que começa daqui a pontuais 3 horas - para sentir o clima.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Um papo sobre MPB com Josh Rouse

Como prometi, aqui está a matéria com o Josh Rouse. Foi capa no Jornal da Paraíba desta terça-feira (12).

Aqui vocês encontram o texto, na íntegra, e um trecho em áudio do papo que eu tive com ele.

“Eu queria conhecer o Kassin”

Por: ANDRÉ CANANÉA

SOTAQUE BRASILEIRO - Josh Rouse disse que é fã
de Jorge Ben Jor e revelou que seu próximo disco
terá uma sonoridade afro-brasileira
Lá fora, a imprensa estrangeira não pára de elogiar o talento e as composições de um norte-americano chamado Josh Rouse. Com pouco mais de 10 anos de carreira e oito álbuns lançados (apenas um deles chegou por aqui, ‘Home’, de 2000), Josh ainda é um nome relativamente desconhecido no Brasil, embora tenha canções em filmes consagrados, como ‘Vanilla Sky,’ e na série ‘House’. Mas isso pode mudar esta semana, quando o cantor e compositor chegar aqui para dois shows, um em São Paulo (sexta-feira) e outro em Natal, no encerramento do festival Mada (sábado).

Ele nasceu no condado de Paxton, Nebrasca, há 36 anos. Depois de ter percorrido meio Estados Unidos, fixou residência numa pequena cidade da costa do Mediterrâneo, na Espanha, terra da esposa dele. De lá, Josh falou, por telefone, com o JORNAL DA PARAÍBA, em uma das quatro entrevistas que deu para o Brasil, uma semana antes de sua chegada. “Eu espero me divertir bastante por aí e espero que o público goste das músicas. Eu sempre fui muito fascinado pelo Brasil”, declarou.

Josh vem pela primeira vez ao país, mas a nossa música lhe é bastante familiar. Fã de Jorge Ben Jor, Antonio Carlos Jobim, João Gilberto, Luis Bonfá e Gilberto Gil, ele tem até um disco (‘Subtítulo’, assim mesmo em português, de 2006) inspirado na Bossa Nova. “Rola entre os músicos dos Estados Unidos, quem tem bom gosto para música, gosta de música brasileira. Foi assim que eu os conheci, pelos meus amigos”, comenta.

Josh Rouse vai passar só quatro dias no Brasil. Diz que, se tiver tempo, vai comprar uns discos de música brasileira e gostaria de conhecer Kassin, o arrojado músico e produtor responsável por discos como ‘Cê’ (Caetano Veloso), ‘Ventura’ (Los Hermanos) e ‘Sim’ (Vanessa da Mata). A reportagem informou que Josh fará seu segundo show numa região que é conhecida pelo forró. “Forró!”, vibra, com sotaque português. “Eu conheço o Forro in The Dark (grupo formado por brasileiros em Nova York). Parece com o nosso country”, compara.

O show dele, no Brasil, será um apanhado dos seus últimos quatro álbuns: o citado ‘Subtítulo’ mais 1972 (2003), ‘Nashiville’ (2005) e o novo ‘Country Mouse City House’ (2007) - no www.myspace.com/joshrouse dá para conhecer algumas músicas. E já que ele gosta tanto de música brasileira, será que vai rolar algum cover verde-amarelo? “Provavelmente não. Eu estou na Espanha e minha banda está nos Estados Unidos, então não teremos tempo para ensaiar nada”, justifica.

Cada álbum de Josh Rouse tem uma sonoridade bem peculiar. “Eu gosto que cada disco soe diferente”, confirma. Se ele mergulhou na Bossa Nova em ‘Subtítulo’, em ‘Country Mouse...’ as canções navegam no folk e no soft rock. “Meu próximo disco vai soar bem brasileiro”, revela. “Terá letras em espanhol e será bem percussivo, com sonoridades que remetem a uma percussão afro-brasileira”. O disco, entretanto, só deverá sair em 2010.

Ouça um trecho da entrevista apertando o play abaixo.

Discover !

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Mada divulga programação completa


Tá no site do Mada, a escalação completa para a edição comemorativa dos dez anos do festival mais divertido das redondezas.

A Paraíba vai muito bem representado pelo Sem Horas (foto), banda de rock 'n' roll bastante despretenciosa e divertida, que vem conquistando corações e mentes por aqui.

O Mada acontece na arena do hotel Imirá, na orla de Natal (RN), entre os dias 14 a 16 de agosto.

A programação completa é a seguinte:
Quinta-feira (14)
O Rappa (RJ)
Motosierra (URU)
Brand New Hate (RN)
Sweet Fanny Adams (PE)
NV (RJ)
Radar Indie
Poetas Elétricos (RN)

Sexta-feira (15)
Lobão (SP)
Pato Fu (MG)
Autoramas (RJ)
Curumim (SP)
Isaac e a Síntese Modular (RN)
Poliéster (RS)
Subaquático (BA)
Lunares (RN)
The Volta (RN)

Sábado (16)
Seu Jorge (RJ)
Josh Rouse (EUA)
Cordel De Fogo Encantado (PE)
Mallu Magalhães (SP)
Falcatrua (MG)
Macanjo (RJ)
Sem Horas (PB)
Rosa De Pedra (RN)

sábado, 12 de julho de 2008

Mada anuncia Josh Rouse; programação completa sai na próxima semana


O Mada, o bacana festival de música pop que acontece em Natal (RN), entre os dias 14 e 16 de agosto, anunciou sexta-feira (11) mais dois nomes, desta vez, internacionais.

O cantor e compositor norte-americano Josh Rouse (foto) e a banda uruguaia Motossierra integram o cast, que ainda conta com Seu Jorge, Pato Fu, Lobão, Cordel do Fogo Encantado, O Rappa, Curumin, Mallu Magalhães, Sweet Fanny Adams, Poliester, Falcatrua, Brand New Hate, Lunares, Síntese Modular, Rosa de Pedra, Os Poetas Elétricos, BarbieKill e Macanjo.

O idealizador do festival, Jomardo Jomas, respondeu à lista Nordeste Independente ontem anunciando que a programação completa na próxima semana.

Josh Road é o queridinho do cineasta Cameron Crowe. Você viu filmes como Vanilla Sky ou Quase Famosos?? Tem música do rapaz lá. O caboclo é sensacional: faz um som folk contemporâneo de primeira. Clique aqui para conhecer.

O Motossierra tem, na opinião do jornalista Bruno Nogueira, uma das melhores performances da atualidade. Eles fazem um rock vigoroso e cheio de energia. Veja um vídeo no Youtube.

O Mada já trouxe gringos bem legais. Vi por lá o The Walkman, uma das melhores bandas indies de Nova York. No ano passado, quem tocou por lá foi o The Russian Futurist (veja aqui uma foto minha com os caras).