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quarta-feira, 27 de agosto de 2008

iPhone 3G vai custar mais de R$ 2 mil no Brasil

Steve Jobs, criador do iPhone (divulgação)

A Folha On Line acaba de trazer que a Claro começa a vender o cobiçado iPhone 3G já no mês que vem.

De acordo com a matéria, a própria Claro já está oferecendo o aparelho aos clientes. Por R$ 100, você já faz a reserva do celular mais legal de todos os tempos. O preço, claro, será abatido na compra do aparelho e quem desistir, a Claro devolve a grana. É o que diz o texto.

Mas quanto vai custar o 3G? 200 dólares, como é nos Estados Unidos? A matéria da Folha diz que a Claro não informa preço nem quando vai, de fato, começar a vender os aparelhos.

Mas eu prefiro dizer para vocês: Claro que não (vai vender só por 200 dólares)

Eu soube já há alguns dias, de fonte bastante segura, o preço do iPhone no Brasil.

O aparelho que toca música, navega na internet, passa vídeos e fotos e ainda faz ligações vai sair por R$ 400 - uma pechincha, não?! - para quem aderir ao plano de, se eu não me engano, 900 minutos da Claro, o que dá uns 300 e poucos reais por mês.

Sacou? Você paga 400 reais pelo aparelho, vai desembolsar mais de 300 contos por mês, em um contrato de um ano e meio, ou dois anos. Algo assim. Em um ano, por baixo, você vai ter torrado mais de 4 mil reais para ter um iPhone.

Mas se você quiser um plano menor, você também vai poder levar o iPhone 3G, só que por impressionantes 2 mil e 300 reais (o preço de dois N95, da Nokia).

Não sei se são esses preços mesmos. Pode ser que não, mas também pode ser que sim. Pode ser até que seja mais alto do que isso. Eu não duvido. Sempre achei estranho esse custo tão baixo (200 dólares) por um aparelho tão foda (quanto os outros similares estão na casa dos 2 mil reais) a troco de nada.

Vamos esperar a Claro anunciar os preços e saber se minha fonte era mesmo segura, ou não.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Meu celular toca música


Este texto aqui marca a minha estréia na revista 'Acrópoles News', do meu amigo Marcos Luna. Foi concluído em 17 de junho e a revista, lançada na semana passada. Para quem ainda não viu a revista, aqui vai o texto. Divirtam-se!

Por esses dias, fui ao cinema ver ‘Três Vezes Amor’ (‘Definitely, Maybe’, no original). É dessas comédias românticas e simpáticas que a gente leva a namorada, come pipoca juntinho, sai para jantar uma lasanha com vinho e termina a noite aos beijos apaixonados. Mas o que chamou minha atenção mesmo no filme foi o fone bluetooth que o personagem principal, Will Hayes (vivido pelo ator Ryan Reynolds), usa logo na seqüência de abertura da fita.

Ao som da clássica “Everyday people”, do grupo Sly & Family Stone, ele caminha pelas ruas de Nova York. De onde vem a música? De uma iPod? De um MP3player comprado no Terceirão? De um discman? Ou de um walkman da Sanyo de cor azul anil (que acho que pararam de fabricar em 1989)? Nada disso, “apenas” do celular dele.


Não sei se o nobre leitor reparou, mas há tempos o celular deixou de ser um celular. Ou o celular que nós conhecemos, o “tijolão” da Motorola, ou o chique Startac (que também era da Motorola). O celular que liga e recebe chamadas. O de hoje é um dispositivo multimídia que os experts no assunto já andam dizendo que vai, num futuro muito breve, substituir o trambolho que você tem em casa e chama de computador.


É verdade. Os aparelhos de hoje tiram foto, filmam, passam e-mail, pagam conta, têm GPS, tocam música, passam filme e, veja que incrível, fazem e recebem chamadas! Tá, isso quando as operadoras deixam. Mas que fazem, fazem. Eu vi!
Aliás, quase todos os aparelhos modernos são assim. Veja só: o som do seu carro toca MP3, lê cartão de memória, tem entrada USB e ainda toca aqueles velhos e cafonas CDs que a gente compra nas lojas, com capinha, encarte e imposto! E o DVD da sua casa? Exibe fotos, toca MP3, passa Divx, faz conexão bluetooth e roda até os filmes que você aluga na locadora. Diga aí.

Vivemos numa era de tecnologia fantástica e assustadora. Fantástica por tudo que ela proporciona. A própria internet, por exemplo. No último dia 16 de junho, Marcone Ferreira, um dos nomes mais conceituados do jornalismo político paraibano, assistiu ao parto da primeira neta. Ele, em casa, a nora e o filho, em Brasília. Transmissão pela internet, em tempo real. Nada de gravação, ou edição. Emoções simultâneas entre todos os envolvidos, independente da distância – afinal, um poderia estar em Cajazeiras e outro na Molvânia (conhece?!) que seria a mesma coisa.


Assustadora porque, pela primeira vez desde que o macaco evoluiu nessa coisa chamada homem, ou desde que Adão e Eva comeram a tal maçã (que não era a Apple, diga-se de passagem), uma geração mais nova sabe mais que uma geração mais velha. Isso mesmo. Se antes o avô sentava para dar lições aos netinhos, agora é o contrário. “Vovô, senta aqui que eu vou lhe ensinar a tirar um extrato no INSS na internet”, diz a netinha de apenas 10 anos de idade. Eu mesmo tenho uma sobrinha de 6 que, enquanto a professora lhe ensinava as quatro operações matemáticas, ela ensinava a professora como fazer o download de uma música pela web. Parece coisa de louco, não parece?! Mas é verdade.


Diante de um quadro assim, não é de se estranhar que Will Hayes tenha botado dois pitoquinhos no ouvido e conectado, sem fios ao celular, passasse a ouvir música numa qualidade cristalina como água mineral. O que é mais curioso nisso é que, sem perceber, o celular fez as pessoas ouvirem mais músicas. Antes do celular, existia o discman. Antes do discman, o walkman. Antes do walkman, nada! E walkmen e discman sempre foram vistos como coisa de adolescente. Você já viu um sujeito todo paramentado no Centro da cidade com um walkman no ouvido? Eu não. E com os fones do celular? Vários!


A indústria da música, que se perdeu quando o disco deixou de ser vinil para ser CD, andava triste, cabisbaixa, até receber o extrato de que a venda de músicas para celulares no Brasil passou de míseros de 8,1 milhões em 2006 para 18,5 milhões em 2007 (um aumento de 127%) e continua subindo.


Associado a tudo isso, surge o novo iPhone, lançado em junho e com previsão de chegar às lojas agora em julho e, até o final do ano, no Brasil. A grande novidade da geringonça, que além de fotos, vídeos e internet, e faz e recebe ligações, é o preço: 200 dólares. Algo em torno de 340 reais quando eu estava escrevendo este texto, alguns dias atrás. Essa bagatela aí torna o iPod – esse nosso nem um pouco obscuro objeto de desejo – um troço obsoleto.


Sabe o iPod, o aparelhinho ultra-bacana que toca música e passa vídeo que sua irmã trouxe de Londres para o seu filho? Ou que você pediu pra aquele seu amigo trazer de Miami e fez o maior sucesso na escola? Pois é, pagou caro e agora está ultrapassado. O iPod Touche, que vem a ser um iPhone sem telefone, estava 50 dólares mais caros na semana de lançamento do celular da Apple, com os mesmos 8 GB e com menos tecnologia. E porque eu vou pagar mais caro por um aparelho mais limitado? A lógica do capitalismo diz que eu não vou. E não vou mesmo.


Acredito que em poucos anos, todo mundo vai ter um iPhone. Aqui mesmo, na Paraíba, com manual em português e tudo. Afinal, vai ficar baratinho, baratinho. Na Alemanha, veja só, o aparelhinho já é prometido por algumas operadoras pelo equivalente a R$ 2,50. Claro, nesse caso, elas faturam no plano. O fato é que o iPhone, com toda sua artimanha (afinal, ele só recebe música via um programa desenvolvido por seu fabricante) irá potencializar ainda mais a maneira com ouvimos música. E como vemos filmes, fotos e nos comunicamos. E, claro, como também vamos ficando malucos e surdos.


Eu vou ali botar meu celular para carregar que a bateria acabou.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Smartphones e a era da convergência



Depois do anuncio de que o iPhone será lançado no Brasil, ficou arriscado comprar qualquer aparelho sofisticado até o fim do ano. Tá pensando em entrar na onda dos smarthphones? Espera um pouco.

O iPhone pertence a categoria dos smarthphones. São os chamados telefones multimídia, que entram na internet, tiram fotos, filmam, tocam música e até fazem e recebem chamadas.

Tem uma porção no mercado já. O Nokia N95 (foto) é um deles e, atualmente, o mais cobiçado. Mas é caríssimo. Custa por volta de 1.700 reais. Eu acho um preço exorbitante.

Veja só: eu prevejo que, no mais tardar, em um ano e meio, todos os celulares serão smarths. Talvez seja um tempo muito curto, talvez não.

A própria Nokia previu que, até 2010, todos os aparelhos celulares terão câmeras.

Vocês lembram quando câmera era coisa de celular de gente chique?

Pois é! Hoje, os mais chinfrins já têm e a tendência do mercado é que essa seja uma peça tão comum ao celular quanto as teclas. Sílvio Meira, do C.E.S.A.R, em Recife, disse recentemente em uma palestra, em João Pessoa, que o custo de uma câmera para um fabricante de celular não chega a 2 dólares!

A própria Nokia lançou, em abril, celulares com câmera de 1.3 megapixel por 78 dólares (chamados “celulares de baixo custo”). Além de câmera, o aparelho toca música.

Hoje, muitos smarthphones não vêm com GPS. GPS vai ser algo tão comum nesses dispositivos quanto teclado e câmera. E lá na frente, eu vou dizer para vocês: lembra quando GPS era artigo de luxo?

Ta pensando que é brincadeira?

Há um ano, uma empresa britânica que fabrica chips para bluetooth comprou duas empresas de softwares com a finalidade de baratear o custo de produção de GPS para celulares. Até então, custava para o fabricante entre 5 e 10 dólares instalar um GPS em um aparelho. Com essa operação, o custo cai para 1 dólar o que, claro, vai refletir no preço final do aparelho.

É a tendência da convergência. Tudo num só aparelho, num pequeno e móvel aparelho.

E a chegada do iPhone, que já vem com câmera, GPS e até acesso a internet (com wireless, que se você tiver num lugar onde o sinal é liberado, como alguns shoppings, por exemplo, vai navegar de graça!) vai mexer bastante com a concorrência e derrubar o preço desses N95.

A tendência é que, até lá, as lojas aproveitem para queimar o estoques de seus smarths, que, convenhamos, nem são tão smarths assim. Se não tiver GPS, G3 e wirelesse, vai ficar obsoleto antes do natal.

Ah, Papai Noel, eu quero um iPhone de presente!

terça-feira, 1 de julho de 2008

De como uma gripe levou a uma reflexão sobre novas tecnologias

Estou em falta com meus 4 leitores, não estou?!

É que esses dias estão bem corridos. 1) Eu tive que ir ao médico. 2) Eu e Lílian nos demos até o dia 10 para comprar um apê. Caso contrário, a gente aluga e investe na planta. Assim, ta chovendo apartamentos para ver. 3) Eu tô fissurado no Playstation!

Alguns textos abaixo, vocês viram que eu gripei. Isso deu umas complicações no ouvido e eu acabei marcando uma consulta com minha amiga, a dra. Renata Soares, especialista em nariz, ouvido e garganta.

O consultório onde ela atende fica numa espécie de “shopping” de consultórios. O lugar é grande, cheio de corredores e apinhado de gente. Parece um labirinto, uma coisa tipo ‘Quake’, saca? Dividido em alas, cada ala tem uma recepção. Depois de dobra aqui, dobra acolá, cheguei, enfim, a recepção onde deveria esperar ser chamado. Tava lotada de gente a espera de uma consulta com os diversos médicos que atendiam por lá.

Na recepção não havia televisão, nem radio, nem música ambiente, de modo que estávamos todos em silencio, ou olhando para o teto, ou folheando uma revista. Não havia muita coisa além disso para fazer. Daí entra um senhor, todo de branco, que pela pinta estava mais para médico que pai-de-santo. E nem era sexta-feira, portanto, era médico mesmo. Assim que se senta, o celular do cavalheiro toca e ele se põe a bater papo. Fala que perdeu um cartão, que pediu para a moça que trabalha na casa dele procurar numa camisa tal, que só havia ligado naquele dia para o banco, que a última vez que o usou foi o Carrefour e por aí foi.

Bem... eu tive vontade de perguntar o nome do cavalheiro. Porque a essa altura, eu já sabia que ele fazia compras do Carrefour, tinha um cartão do Banco do Brasil e empregava alguém do sexo feminino em sua casa para realizar atividades domésticas. Já sabia mais coisas sobre ele do que sobre a médica que iria me atender. E olhe que ela é minha amiga.

Essa história bateu exatamente com o que eu havia acabado de ler no dia anterior, na matéria de capa da revista Época desta semana. O texto é sobre o novo iPhone e na revolução que ele promete causar.

Não sei se o que você irá ler agora é alguma novidade, mas sabe esse eu PC que está aí? Pode jogar fora. Segundo os especialistas, ele está completamente ultrapassado. É uma lata velha e enferrujada que só serve de entulho.

O futuro (ou seria o presente?!) é a tecnologia móvel. Celular é um nome antiquado para esse tipo um dispositivo cujo modelo se chama iPhone, da Apple. Eu vivo dizendo isso. Afinal, o danado faz tudo, até ligação! Entra na internet, tem GPS, toca música, filme e permite até que você leia esse blog!

Nesse dia, no consultório, eu aproveitei para ler um material disponibilizado pelo professor José Carlos Ribeiro, um baiano arrebato, doutor em Cibercultura, que ensinou o módulo ‘Novas Tecnologias’ na pós que eu estou fazendo. Lá tem um texto chamado ‘Convergência de Mídias Potencializada Pela Mobilidade e Um Novo Processo de Pensamento’, do gaúcho Eduardo Campos Pellanda, apresentado no XXVI Congresso Anual em Ciência da Comunicação, realizado em 2003 na cidade de Belo Horizonte, Minas Gerais.

Leia o texto aqui

Ele discute a questão de o quanto o ser humano está conectado nos dias de hoje. Veja só que curioso: quando a internet começou a ficar popular, ali em meados dos anos 1990, os especialistas (e sobretudo psicólogos) começaram a avaliar os danos que essas novas tecnologias poderiam trazer para o homem, sobretudo no que diz respeito a sociabilidade dos indivíduos.

Afinal, internet, como se diz no popular, é uma coisa que vicia. As pessoas lêem, estudam, trocam correspondência, paqueram, assistem filmes, ouvem música, jogam, fazem compra, transação bancária, investem na Bolsa de Valores e vão até a missa, se confessam e pagam penitência (verdade!), tudo pela web. A projeção de que iríamos todos viver, cada um para o seu monitor, enfurnados em nosso quartos ou escritórios, era a visão do inferno apocalíptico ciberpunk de 12 anos atrás.

O que os especialistas, tavez, não previram é que as pessoas estariam conectadas (on line), sim, mas juntas umas das outras.

Quer ver: quando você sai de casa para ir trabalhar, com seu celular na bolsa, você está conectada. Você está on line! Até se você for a uma praia deserta, sem energia elétrica, mas dentro do alcance da sua operadora de celular, você está on line. Você está apta a ser acessada a partir de um outro celular, ou de um telefone fixo, ou de um skype, ou até mesmo de uma mensagem de texto.

O iPhone, como é mais do que um aparelho para fazer e receber ligações, e o grande atrativo dele são as possibilidades de acesso a internet (ele tanto usa tecnologia 3G quanto wireless), essa vida on line é potencializada, de forma que você vai estar mais conectado ainda, em qualquer lugar. Até no meio da final Sport x Corinthias.

Assim, mesmo que você esteja sozinho, num quarto motel, com sua garota, e seu celular esteja ligado, você estará on line para o mundo virtual. Mesmo que você saia para jantar com três amigas, o celular ali ao lado vai lhe permitir ir ao banco, baixar o disco novo do Coldplay, corrigir a tarefa de casa da sua sobrinha e ainda olhar as fotos da lua-de-mel da sua prima sem sair da mesa e sem perder a conversa com as amigas.

Esse papo de ficar trancado em casa na internet já era. Hoje, você fica “trancado” na internet, mesmo a céu aberto!

O que é curioso nessa história, para voltar ao meu amigo de branco que perdeu o cartão do Banco do Brasil e faz compras no Carrefour, é que, como apontam vários especialistas, entre eles o maioral Pierre Lévy, a noção de privado e público se perde no mundo real. A coisa íntima da ligação telefônica, o aparelho telefônico que nos anos 1960, 1970 e até 1980 ficava no canto da sala, ou no escritório, fazendo com que o indíviduo mantivesse a privacidade de suas conversas, foi para o beleléu. As pessoas perderam a noção de onde estão, e com quem estão, e falando o que. Afinal, preste atenção: não existe apenas o meu amigo de branco que age assim.

Bem, essas são apenas algumas reflexões provocadas por uma ida ao médico.

Agora agüenta aí que eu vou pingar gotinhas no meu ouvido. E terminar meu artigo sobre ‘Novas Tecnologias’ para a especialização.